O diário de um gay não gay: sou homossexual

Arquibancada da pegação

In amor entre homens, boate gay, comportamento, escolha sexual, esteriótipos, garotos de programa, gays, GLBT, gosto de homem, homossexuais, opção sexual, paquera, preconceito, psicologia, revista gay, sexo, sexualidade, shelter o filme on junho 20, 2011 at 1:13 pm

Semana que passou, aconteceu uma parada que fiquei constrangido, até com vergonha por ser homossexual e ver uma cena daquelas. Não quero pagar de puritano e certinho, mas o que vou relatar me deixou extremamente sem jeito.

Todo mundo aqui sabe que ando de skate, e esta semana um casal amigo meu hetero me chamou para ir na pista de skate que tem no Parque Garota de Ipanema na Praia do Arpoador – Ipanema. Lá tem um visual muito bonito, tem uma pista para skate e patins, mas também é um ponto de pegação gay. Eu já sabia disso, e já tinha ouvido comentarios picantes também.

Quando eu e o casal hetero subimos o morro onde fica a pista de skate, na arquibancada não haviam expectadores, mas sim 10 gays, e eles estavam ali esperando parceiros, isso as 14 hs. Era um levanta e entra no mato, um chega e sai de homem.

Fui sentindo que eu estava diminuindo, e virando um grão de areia de tanta vergonha que fiquei. Pior meus amigos sabem que sou homossexual. Eles estavam tranquilos, mas eu não, fiquei o tempo todo de costas para a arquibancada, e de relance vi que alguns gays estavam nos comendo com os olhos, como produtos ou carne de açougue.

Foi a única vez que tive vergonha de ser gay, isso me consumiu a semana toda. Não que eu seja puritano, já fiz até sexo na praia, como já contei aqui para vocês, mas aquela situação ali me remetia a um açougue, onde a carne chegava para os compradores devorarem.

Fiquei pensando será que aquelas caras eram escravos dos sexo, nunca pensaram em ter alguém, ou só viviam naquela intenção: sexo de risco em meio a um bosque.

E meus amigos heteros sempre comentam “lá na pista vão aqueles viados fazer sexo” Infelizmente é essa a visão que as pessoas tem de nós: seres sexuais. Por causa de uma duzia todos pagam, por causa de uma parcela, todos são taxados. E o mais chato, ali subiam pais e mães com seus filhinhos para andar de skate.

E se o filho de um deles for gay? Certamente será dificil para os pais. Haverá também pressão sobre o garoto, já que a visão ali, demonstra que gay é um puto, que só pensa em sexo e mais nada.

Está ai meu desabafo, bronca e trago aqui o assunto para debate.

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  1. Blogueiro e galera do blog!

    Já que o assunto é pra debate, aqui vou eu…

    Entendo muito bem esse seu “constrangimento”, blogueiro… Talvez eu seja meio careta tb (ou só meio tímido mesmo…), mas acho que locais públicos servem pra conversar, espairecer, relaxar, praticar esportes, flertar, trocar olhares, fazer amizades e até trocar carinho, de forma natural, discreta… seja com amigo(a) ou namorado. E acho que tanto héteros quanto homos deveriam pensar assim.

    Vc falou sobre esse olhar de outro gay que te vê como carne. Também não gosto. Curto aquele olhar de paquera, natural, espontâneo… Aquele olhar de quem gostou de vc, te achou simpático… de quem sente que poderiam se dar bem, seja como amigo ou como namorado… Aquele olhar de interesse sadio, humano, de querer te conhecer melhor… Agora, aquele olhar de quem parece que tá te engolindo, de quem só tá afim de te “pegar”, vindo de pessoa desconhecida, não gosto muito… perde ponto comigo… Aliás, confesso, até acharia legal se esse tipo de olhar viesse de alguém com quem estivesse me relacionando, pois aí o significado é outro, tem junto o componente da afetividade… acaba sendo uma brincadeira, um jogo erótico, um parênteses mais sexual no contexto da relação a dois…

    Também tive uma experiência recente como a sua: tava numa loja de roupas, experimentando um suéter com zíper, e eu precisei sair da cabine do provador pra perguntar pro vendedor se havia tamanho G, pois o M tava meio apertado… Saí da cabine com o zíper do suéter aberto até metade da região peitoral, sem querer, tipo nem tava ligando pra isso… Na hora que saí dei de cara com dois gays que estavam tb no corredor do provador e eles ficaram olhando pro meu peitoral de forma fixa, sem procurar disfarçar… Cara, senti vergonha também dessa falta de, sei lá, respeito mesmo, discrição, enfim… Me senti como se tivesse no açougue mesmo, pq eles olhavam de forma direta, escancarada, sem tentar fingir e sempre pro mesmo local do corpo… Eles perceberam que eu fiquei sem graça, mas continuaram olhando fixamente o tempo todo, até eu voltar pra cabine…

    E sobre essa pegação mais intensa (e até transa) perto da pista de skate, convenhamos, existe local mais apropriado pra isso… Qual o problema de ir para um motel? Vergonha não é, pq senão também teriam vergonha na rua, na arquibancada, no mato… Seria falta de dinheiro? Aí então o problema é outro: ficar fazendo sexo ao ar livre não vai pagar as contas de ninguém… (seria hora de se preocupar com outras coisas…). Poderia também ser vontade de chocar, de afrontar a sociedade… Isso ainda é pior, pq excentricidade e bizarrice se originam sempre de algum tipo de desajuste emocional, de necessidade doentia de se auto-afirmar… Poderia também ser desprezo por si mesmo e falta de valores sociais/morais: o que é triste, pq o que estão fazendo é um ato de desrespeito pela vida (risco de doenças DST), pelo próximo (liberdade de ir-e-vir do outro, que não tem obrigação de ter que ficar vendo cenas de exibição sexual explícita) e pela coletividade (apropriação egoísta do espaço público que é de todos, inclusive de crianças e idosos – e de skatistas rsrs -, para praticarem atos não condizentes com o horário nem com o ambiente).

    Sinceramente, não sei qual dessas prováveis explicações seria a pior…

    Realmente, numa situação dessas, muitos de nós ficamos mais constrangidos que nossos amigos heterossexuais. Mas posso ser sincero? Acredito que esse constrangimento não é só pelo fato de sermos gays e não sermos promíscuos… Não é só porque eles estejam nos diminuindo perante os olhos da sociedade. Também não é que a gente tenha vergonha de ser gay nesses momentos… Esse constrangimento é mais que tudo isso. É manifestação natural de nosso caráter, de nosso bom-senso, independentemente da nossa condição sexual… E é também, no fundo, certa piedade em relação a esses que estão aí na arquibancada da pista, mas também na arquibancada da ilusão e da inconseqüência, agrupados nos confortáveis assentos da ignorância, jogando fora aquilo que o ser humano tem de mais valioso: inteligência, saúde, consciência e respeito.

    Mais uma vez: foi mals pelo texto grande!

    Mas vamos debater… isso é bom!

    Miguel

  2. Bem, talvez o caso em questão levante uma impressão errônea de que safadeza e encontros sexuais sejam coisas de gays, eu diria que é coisa de homem e cada vez mais de mulheres, só que ainda muito mais de homens em geral, sejam heteros ou homossexuais.
    Como numa relação homossexual são dois homens, a chance dos dois serem propensos a quererem apenas sexo e safadezas em geral, sem se envolver e romance é muito maior do que com um casal hetero e muito muito muito maior do que num casal homossexual feminino, já que mulheres são mais retraídas sexualmente naturalmente, a começar pelo órgão sexual.
    Eu já fiquei constrangido também, mas com um casal heterossexual, uma vez que estávamos numa praia de rio, dessas que tem aqui pelo interior do Brasil, e em plena duas da tarde, eu e meus amigos notamos um casal fazendo sexo a uns 40 metros de nós dentro da água, fora que no rio também nadavam crianças, pais com seus filhos e etc por esse horário. É mesmo muito constrangedor, ainda mais porque a menina deixava bem claro, pela sua expressão e movimento, o que estava acontecendo.
    Bem, pode ser muito excitante pra quem faz, mas pra quem assiste, e não foi pro local pensando em ser voyer ou participar da sessão é muito chato e constrange também. As pessoas deviam pensar um pouco nos outros antes de sair saciando sua libido em qualquer matinho, riozinho ou canto escuro por aí.
    No fim cai no de sempre, é muito egoísmo e individualismo. As pessoas pensam demais no seu desejo, no seu orgasmo, no seu prazer e se esquecem de todo um grupo de pessoas pensantes a sua volta, e aí resulta nisso, os outros deixam de ser pessoas e passam a ser produtos, pedaços de carne expostos somente para o meu deleite, minha escolha e degustação.
    Temos que viver menos no mundo do eu e as coisas as quais possuo (incluindo parceiros, namorados e etc) e ir pro mundo do nós e as pessoas as quais respeito seus sentimentos e pensamentos que existem e por isso podem divergir dos meus.
    Ah alguém num comentário aí atrás citou um livro muito bom, eu por minha vez cito um outro: “Cores Proibidas” de um japonês militar que cometeu harakiri, Yukio Mishima, nesse livro ele também teoriza sobre os homossexuais, e ele diz que todo homossexual é meio narcisista, e que a busca pelo próprio sexo seria uma espécie de busca pela imagem de si próprio onde o ápice seria o sexo consigo mesmo. Nossa to viajando, mudei totalmente o assunto do post, bem, nunca escrevi tanto, melhor dormir, abraços e continue com esse blog incrível! =)

    • Pois é acho essa parada tanto para heteros e gays chato. Todo mundo tem que ter desconfiometro e evitar sexo em publico.
      Abraçoooo

    • Carlos, legal o q vc disse: “As pessoas pensam demais no seu desejo, no seu orgasmo, no seu prazer e se esquecem de todo um grupo de pessoas pensantes a sua volta”.

      Vou mais e acrescento: as pessoas também esquecem que tb é prazeroso compartilhar momentos simples com outro cara, fazer coisas do cotidiano juntos… Andar junto, passear, ir ao cinema, ao teatro, a um show, a um evento qualquer… Ir a um restaurante, tomar um sorvete, ficar conversando, resolver problemas do dia-a-dia juntos…Talvez isso seja tão prazeroso quanto sexo… Podem me tachar de esquisito, mas penso assim… Sinto assim…

      Falow!

      • Carlos, não. Cléber… Foi mal… muitos leitores com “C”… acabei confundindo kkkkk.

  3. Sinceramente não sei como um ser humano tem coragem de fazer sexo no mato ou no rio pra todo mundo ver a e ainda tem os banheiros do shopping. Quanto o olhar não são só os homens ( seja ele hetero ou gay) mais as mulheres encaram bastante. Vou confessar que gosto de ser olhado seja por homens ou mulheres meu ego vai lá em cima porém tem certos olhares que são extremamente constrangedor e que ainda dão medo do modo como a pessoa te olha acho que isso depende do bom senso de cada um saber enchegar até onde é agradavel e até aonde da medo. Pessoas desagradaveis existe em todos os lugais seja ela hetero , gay ou et esse tipo de coisa acontece mais fazer o que?. Obs: Mais um olhar legal é sempre bom além de vc poder sair do local com um possivel ficante ou namorado agora tem que ser um olhar legal não aqueles olhares estilo filme de terror que o cara que pegar o outro de todo jeito

    • Sem dúvida Carlos, tudo começa no olhar… talvez o olhar seja o início de tudo e permanece sendo o principal (e mais emocionante) elemento do relacionamento… Eu penso assim… Mas falo aqui, como vc, desse olhar legal e nao do olhar estilo filme de terror kkkkkkk. Desse chega mesmo a dar medo… rsrsrs

      Valeu!

  4. Falou tudo cara! Eu ainda sou novo. Mas até então não gosto disso, nem um pouco. Talvez gay seja sim, um pouco mais “safado”, digamos. Não sei o porque, mas não generalizemos. Eu só sei que não é só isso o que eu quero pra mim. Quero alguém pra gostar de mim, que seja discreto e me respeite. Está aí minha opinião pessoal, afinal, gosto é gosto. Mas fazer o que né, isso se chama maturidade. Todos temos que ter. Gay pra mim é igual hétero: cada um tem o seu jeito. Podem ter os tarados, afeminados, os discretos, e outros. Mas eu só sei que classificar o gay como só um “tipo” específico de pessoa e um erro grave e muito injusto! Se alguém quiser deixar um e-mail, eu agradeceria. Estou precisando de alguém para conversar sobre essas coisas. Valeu!

    • Fala Lucas,
      Verdade, cada pessoa seja hetero ou gay é um caso.
      Vai postando aqui que o pessoal troca idéias com você. Interage sempre nos comentários do post, que vai trocar altas idéias.
      Abração.

  5. sou gay mim assumi agora pouco quando eu completei 19 anos

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