Vou começar o post respondendo um leitor que me mandou e-mail com telefone. Infelizmente, não pude aceitar manter esse contato dessa forma. Eu incialmente prefiro conversar via e-mail, msn,para depois telefone e pessoalmente. Já teve leitor que virou meu amigão e inclusive quando vem ao Rio se hospeda aqui em casa. Agora em Natal tem um que vai passar a festa aqui em casa, amizade construida em 3 anos de blog. Então peço paciência as leitores se eu não puder dá atenção que esperam de imediato. Nosso leitor não gostou, e me mandou um e-mail, “chamando de fresco e bicha, preconceituoso pelos post” . O que todos aqui sabem que não tem nada haver. Estamos juntos há 3 anos, contato o dia-a-dia dos não assumidos, das dificuldades que vivemos, se assumindo, postando textos de leitores, mostrando que o mundo gls não é só aquele que ativistas tentam nos passar. Mostrando que existem outras visões e lados. Bem é isso. Então vamos ao post de hoje.
Estes dias conheci um rapaz na net, que me chamou atenção. Ele toda hora falava “Eu quero um amigo” …”Você quer ser meu amigo?”.
Na nossa conversa no msn fui tentando descobrir porque essa necessidade dele em querer um amigo, e procurando logo ali no chat. Perguntei o que ele curtia fazer, ele falou “balada”, eu perguntei qual, e ele “gls” eu falei que não ia. E ele me disse que ia porque era divertida, alegre, e que eu deveria ir.
Comecei a argumentar que já conhecia e era na minha visão era superficial. Que preferia ir a uma balada hetero (vou muito pouco a noitada), porque ninguém lá ia me amolar, me criticar e ficar de fofoquinha. Que já tinha experimentado balada gls, e tinha me ferido pelo alto grau de futilidade. (Sei que existe isso dos dois lados – volto a frisar).
Foi então que perguntei, seus amigos de balada gay saem com você? E para minha surpresa ele me disse “não”. E continuou “eles só me chamam para boate e nada mais”.
Conversando, falei para ele:
“então, não são seus amigos, no máximo conhecidos de night. Na hora que você estiver só, ou no fundo do poço, nenhum deles vai te dar a mão. Por isso que prefiro construir amizades fora de balada e festas. Amizades para o dia-a-dia. Aqueles que na hora de me criticar vão me chamar e vamos conversar, que na hora que ambos precisarem de uma mão e ombro não se acovardam. Que não sejam individualistas e fúteis demais (futilidade há em todo ser humano)“.
Eu sei, no meio hetero tem isso tudo de ruim também. Mas no meio gls, principalmente nas amizades de balada, a coisa é pior. Homens reunidos iludidos pela vaidade da noite e beleza.
O som até pode ser animado, como o garoto relatou, eu sei, mas isso não é tudo. Eu quero conhecer pessoas que não estejam apenas preocupadas com vaidade, estética, se achar umas melhores que as outras, ou ficar presas as quatro paredes e luzes de uma boate. Amizade é algo que se constrói com o tempo, não do dia para noite, é algo que se conquista, amizade é uma palavra importante, amigo de verdade não se limite, não fala com você somente para uma coisa. Te liga, procura saber como você está, etc.
O problema de parte do meio gay (baseado na tradução da palavra = alegre) é achar que tudo é festa, e essa festa é mais importante do que as pessoas que dela participam. Ai dá nisso. Superficialidade, futilidade, etc. Não estou dizendo que todo gay é assim, mas tem uma boa parte.
Eu sei que tem gay que diz que eu pego pesado, mas não é não, apenas eu falo da realidade que muitos não querem ver, que muitos não querem acordar. Eu não sou contra festa (ontem mesmo sair com amigos, rimos, fizemos festa), eu gosto de ri, falar bobagem, festeja. Mas não me peçam para tratar as pessoas como copos descartáveis (usou na festa e jogou fora). Isso eu não quero fazer.
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