A hora de falar com os pais

Hoje nosso post será dividido em dois, um essa semana, e outro na próxima semana. Faremos isso para aproveitar o debate que se formará em torno do primeiro post, e assim, traremos um conjunto de idéias que nossos leitores debateram.

O tema do post é: “Como falar para os pais, família e amigos que você é gay. E foi sugerido por nosso jovem leitor Santos de Portugal.

Falar com os pais sobre que você é gay, bi, homo. Não é uma questão fácil, na verdade não existe uma formula pronta, pois cada caso é um caso, cada família é cercada de valores, costumes, algumas de tradições das quais não abrem mão.Mas com o tempo algumas família estão abertas a novas idéias, que na verdade já existem há séculos, e outras infelizmente talvez por não estarem preparadas não estão tão abertas a tais conversas.

Falar para família sobre você ser gay é certamente um dos pontos chaves e mais complicados no ser gay. Para uns é mais fácil, desde cedo a família percebe traços, e assim, eles convivem pacificamente, em harmonia, em outros casos assim que identificados os traços (neste caso os mais visivéis) os famíliares excluem este membro do seio familiar.

E se sua família acredita que você é hetero, pois o mesmo não tem trejeitos, antes ficava com garotas.

Como chegar para eles e dizer mudei (na verdade sempre fui gay), só que agora me aceitei? Essa também é uma situação difícil.

Falar para os amigos, para a família, encarrar a sociedade é algo que dar medo, muito pela rejeição, o olhar de desapontamento que alguns vão ter, os afastamentos familiares e de amizade.

Então o que fazer.

Como disse cada caso é um caso. Ha lekes que não se importam, e dizem  “se me amam de verdade (a família), terão que me aceitar”. Outros buscam estudar, ter a independencia financeira, e assim, quando estão senhores de si, resolvem contar. Há os que contam para algum familiar de maior afinidade. Um tio, uma tia, uma prima, uma avó, a mãe, alguém que confiam muito na família e utilizam como suporte para chegar aos demais membros da família.

O certo é que não é fácil. Há pais que se recusam eternamente a saber e admitir que o filho é gay, alguns levam o filho ao psicólogo, outros arrumam mulher para ele, para ver se ele gosta.

No meu caso, sou um cara bastante neutro, as pouquissimas pessoas que sabem de mim, não acreditam, no início meu pai perguntava, “quando vai me dar um neto?”, eu sorria e desconversava, minha mãe meio casamenteira, até tentou me arrumar umas namoradas, mas sem forçar a barra. Mas com o o tempo eles perceberam que não era a minha, se calaram, não mencionaram nada. Um dia a minha mãe falou “meu filho, você tem que ter alguém na sua vida, ninguém pode ficar só o resto da vida, vai ficar velho, tem que ter alguém”. Eu falei que era meio egoísta e que queria ficar só com o dinheiro. Dias depois ela me liga e diz, “seu pai até ficou preocupado, mas disse que eu seja feliz da forma que escolhi, ficando com quem você quiser. Ele só pedi para você não usar drogas”.

Entendi naquele recado um aceno de que eu poderia ser feliz ao lado de um homem e que eles não se importariam. Outro dia numa dessas conversar minha mãe falou “meu filho gay é gente e tem direito de ser feliz ao lado do companheiro que escolheu”. Também meio que entendi o recado.

Bem tenho dois amigos que sabem de mim, eles encarram numa boa, somos como irmão. Eu tenho uma vida hetero, fora dos padrões ditos gays. Só que para me relacionar, amar, gosto de homem. A única diferença é essa.

Talvez fosse mais difícil falar diretamente com meus pais, a formula foi ir aos pouco dando a entender o meu porque de está só. Porque eu não era visto com garotas, porque só tinha amigos homens.

Confesso que sempre tive medo boa parte da minha vida até aqui, que eles não me aceitassem.

Bem é isso, vou aguardar o ponto de vista de vocês, as dicas. E assim faço um post de continuação e ai trazemos mais luz ao assunto.

A música de hoje é da Pitty –  “medo”.

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21 respostas para “A hora de falar com os pais”

  1. [“meu filho gay é gente e tem direito de ser feliz ao lado do companheiro que escolheu”] Acho que faltou uma vírgula, não? Se não, deixa de ser uma indireta rsrs.
    Suponho que seja bom ter algumas poucas pessoas que sabem, como vc tem. Porque no meu caso ninguém sabe e é meio frustrante… Além disso, já ouvi da minha mãe (com quem eu moro) frases do tipo “Nossa não sei se eu aguentaria ter um filho gay”, mas eu acho que ela quis dizer mais pela questão do preconceito, pq conhecendo ela bem, eu sei que ela tem a mente bem aberta e muito provavelmente depois de um tempo ela iria aceitar numa boa se eu contasse… Minha vó é outra, ela eu tenho quase certeza que, no fundo já sabe. Mas não sei se a relação seria a mesma com todos os membros da família, especialmente com o meu avô, de quem gosto muito, mas não sei se tem a mente tão aberta assim. =P

    1. Pode crer, cara. Eh complicado. Mas voce nao tem amigos em quem possa confiar isso?

      Eu lembro q quando tive meu primeiro namorado com 17 anos eu passei por uma fase de muito conflito interior q eu guardei pra mim. Eu nao queria admitir pra mim de jeito nenhum, achava que se alguem descobrisse eu morreria.

      Ateh q um dia (felizmente) um amigo meu pegou meu celular e viu uma mensagem do cara falando q me amava e tal.. dai tive q contar tudo pra ele.. e acabou q deu certo e a gente ainda eh muito amigo..

      foi uma sensacao otima algumas pessoas saberem de mim e continuarem me tratando como homem (como eu queria) e amigo.

  2. “Pois comigo aconteceu assi: Como tenho duas tias do meio, mas mesmo assim o meu pai é muito ignorante e machista não aceitando de maneira alguma este tipo de coisa, minha família fora ele aceita numa boa, meus avós não dizem nda e todo o resto não se importa com isto, apesar de eu achar que todos fossem virar as costas para mim a reação no início foi de choque, porém depois de quase quatro anos tudo esta calmo, menos o meu pai que até hoje não aceita, mas também eu já esperava essa reação dele e não espero nunca a sua aceitação.E vou seguindo a minha vida normalmente feliz do mesmo jeito!.”

  3. Essa questão é sem dúvida uma das mais importantes (se não a mais) para qualquer gay.
    Eu sou um gay mais óbvio, e mesmo assim minha mãe sempre se negou a ver o que era explícito e eu (egoísta que sou) nunca me incomodei em verbalizar, mas um dia ela me perguntou diretamente, eu falei que sim era gay.
    Cena dramática, ela chorou, falou que se era isso que eu queria pra vida bla bla bla bla bla bla bla bla…, e enfatizou para eu não me “aviadar demais”, meu pai sempre soube mas nunca falou, porém sempre fomos distantes nas relações pessoais.

    Confesso que a vida fica mais simples depois da saída do armário.

    Quanto a amigos todos sempre souberam, mas tive a sorte de ter um amigo de infância que também é gay então percebi que não era o único e não rolou muita dificuldade em sempre me posicionar com gay que sou.

    E o mais legal é ouvir a frase: “Putzzzzzz o Giuliano é gay, mas é sangue-bom, gente fina, classe A, firmeza, phoda, legal pra caramba etc” Isso muda a percepção das pessoas sobre os gays.

    1. Fala Giuliano, você colocou uma frase sensacional que vou usar no segundo post do assunto: “Putzzzzzz o Giuliano é gay, mas é sangue-bom, gente fina, classe A, firmeza, phoda, legal pra caramba etc”.
      Isso é o que não queremos. Frases como essas, engraçado que as pessoas no Brasil não abominan a corrupção, mas emitem frases infelizes como essa, como se fossemos algo errado, mas se esquecem que coisas erradas acontecem todos os dias, desvios de merenda escolar, hospitais sucateados, etc.

      1. É sim, essas frases são equivocadas, e mostram que apesar de ninguém assumir existe um PRÉconceito, mas depois que conhecem uma pessoa gay esse gay idealizado desaparece e a sociedade começa a ver os gays com naturalidade e que existem diversos tipos de gays.

        Agora tem uma frase clássica que se não ouviu é capaz de ainda ouvir alguém falar: “É melhor ser gay do que bandido, estuprador, ladrão..” – Essa dispensa comentários, mas faz parte do universo hétero.

      2. Essas frases são infelizes mesmos.
        Uma hora dessas a sociedade deixa de ser assim miope e passa a encarrar as coisas normais.
        Temos que fazer a nossa parte, e tentar ser o meldor de nós.

  4. E ae, Dentro? blz? Vou te chamar assim pq nao sei seu nome e soh agora me dei conta disso hehe. Valeu por mais um post, eu me identifico com a situacao q voce ilustrou com os pais.

    como eu faco pra entrar em contato com vc, cara? Eu curto a sua linha de raciocinio, seria bacana bater um papo pela net

    abraco

    1. Fala Felipe,
      blz, tipo nos vamos lançar um chat em primeira mão para nossos leitores em breve ai podemos trocar ideias.
      por enquanto pode escrever para o email : ddoarmario@gmail.com
      vlw por gostar do nosso papo e textos.
      abraçossssssss

  5. Muito interessante esse seu Post, é algo que ando trabalhado muito durante os últimos 2 meses, possuo no momento 17 anos, e tomei uma grande descisão.
    Contei para amigos, não-amigos e até mesmo para meus professores a verdade.
    Claro que isso foi uma questão pessoal, eu fiz isso para provar a minha força.
    Apesar de cerca de 30 – 40 pessoas saberem sobre mim, a minha familia ainda desconhece a verdade. Pretendo contar á eles assim que completar 18.
    Se minha mãe perguntar, eu vou responder a verdade. Pois não tenho medo dela, tenho orgulho do que sou.
    Atraí olhares diferentes nos últimos dias, até encarei preconceito de certas pessoas e inclusive conseguir mudar a opnião das pessoas sobre o assunto, mas eu não dei a minima. Sou eu, não eles.
    Mas isso depende de cada um, da força que existe dentro de nós.
    Eu hajo como hétero e não saio falando para qualquer pessoa, mas como eu disse, se me perguntarem, eu digo a verdade.

    Parabéns novamente pelo belo trabalho com o Blog.
    Fica com Deus cara ;D

    1. Vou usar esse seu comentario, como os depoimentos que ilustraram esse post, para tentar sintetizar o que os leitores pensam e seus conselhos.
      Corajoso sua atitude.
      Fica com Deus tb, abraçao e continue a colaborar com o blog, seus comentarios são importantes.

  6. Ótimo post, seu blog é excelente, mas eu tenho uma dúvida, você tem preconceito em relação aos afeminados?

    Eu sofri e muito por isso, quando eu era criança, estudei em um colégio de freiras, e lá tinha um menino que era gay, graças a deus eu nunca fiz diferença das pessoas, pelo o que elas eram ou aparentavam ser, desde pequeno… enfim, eu sofri bullying por 12 anos, sendo chamado de gay, simplismente, por ter sido amigo de um, aquelas crianças eram estragadas, talvez influenciadas pelas outras, ou pelos pais. E não me arrependo, posso ter sofrido muito, humilhações e etc. Não pareço gay, é o que as pessoas dizem, e com certeza esse menino nada sofreu, pois sempre aparentou ser gay, e saiu no colégio em 2 ou 3 anos.
    Ou seja, “assumir” é algo irrelevante, os pais não pra sempre, as pessoas também não, o que eu sofri passou, e essa dor de se assumir, logo passa…

    1. Não, não tenho preconceito contra afemandos.
      A única coisa que não gosto no meio gls é essa ditadura que querem impor que ser gay só pode ser de um jeito só, e não pode haver a própria diversidade pregada por muitos, mas que é deixada de lado em muitos casos dentro do próprio meio.
      Eu sei o que é preconceito assim em escola, já tive nesse lado por causa de religião.
      O “assumir” para a sociedade e família acho que não é o principal também, é uma das etapas, mas se pode ser feliz sem se assumir, as pessoas acabam sabendo sem precisar dizer nada.
      Vlw por nos ler sempre.
      Continue a colaborar escrevendo comentários.
      Um grande abraço

  7. vou deixar minha opiniao mais pra frente quando meu pc voltar e quando a segunda parte do post for colocada aki … tenhu uma visao muito diferente disso alguns vao criticar mais e a forma q eu vejo … abço

    puta saudades do blog … li todos os novos posts .

    parabens lek

  8. Encontrei seu blog por acaso, em meio a muito desespero. Cheguei a um ponto onde toda a minha existencia está ligada a minha sexualidade. Hoje não consigo conviver com a deprovação de minha mãe especificamente. Suas palavras me ajudaram a ver que não sou o único.Falarei com familia e me afastarei, talvez tudo mude ou não,mas está insuportável, obrigado!

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