Se o feminismo não se isolou, porque os gays vão?

O pensamento GLBT segue uma lógica as vezes contraria ao feminismo, que conseguiu grandes conquistas. Quando falo aqui em feminismo, não digo aquele cego ou radical, mas aquele que lutou pela emancipação das mulheres, pela igualdade entre homens e mulheres, pelo direito da mulher a trabalhar com os mesmos direitos que os homens, que lutou pelo direito ao voto, pelo reconhecimento do papel importante da mulher na sociedade e que fez com que as mulheres consigam destaque e hoje mesmo com tanta desigualdade ainda presente, elas ocupem muito das vezes o lugar de nós homens, mas por competência destas.

Vou traçar aqui um paralelo usando o feminismo de modo geral, para mostrar que nós gays estamos tentando seguir um caminho contrario. E porque digo isso, porque as feministas jamais tentaram se isolar em um mundo ou comunidade só delas, elas sim, lutaram e lutam para que homens e mulheres tenham direitos iguais. No item homens e mulheres, vou abrir um breve parágrafo aqui.

Não existe terceira via. Existe sim, o homem e o outro gênero, a mulher. Eu sou homem e com H. Gay é homem, assim como hetero é homem, não existe gênero ou espécie gay. Somos todos homens. Primeiro ponto.

Voltando ao isolacionismo que permeia o meio gls, muitos gays falam “ah, não vamos nos misturar aos heteros e conviver com eles porque eles não nos entendem” “os heteros nos criticam”. E eu pergunto a vocês. Imagina se as mulheres e o feminismo fizesse o mesmo, tentasse a via da Ilha de Lesbos, onde as mulheres se isolaram dos homens. Fato que segundo a história fracassou. Ou se nós gays seguimos desfaçadamente a temática de termos a raça (muito gay gosta dessa idéia) , algo que os nazistas tentaram impor: raça melhorada, mais elegante, pura, menos primitiva. E sabemos no trágico fim que deu aquilo. Fracasso, ódio e destruição.

Pois bem, muitos gays acreditam serem mais felizes se isolando da sociedade hetero, alías não existe isso, sociedade hetero, existe a sociedade  formanda por multiplos pensamentos e pessoas diferentes. É isso que dá a liga, as diferenças. E não todo mundo igual feito um playmobil.

Se já temos festas gays, boate gay, praia gay, rua gay e até banheiro gay. Daqui um dias vamos querer supermercado gay, loja gay,  e até cidade gay. Idéias que parecem trazem sensação de alívio para comunidade gay e de liberdade do ser gay, mas na verdade são idéias burras, que só atuam para separar mais gays e heteros, para distorcer imagens.

O que está faltando no meio GLS, no pensamento de muitos gays, é se espelhar no que fez as feministas. Elas buscaram igualdade como nós, mas não se isolando. Igualdade não vem com isolamento, tentativas de se mostrar melhor que os demais, com afronta a sociedade. Igualdade vem com diálogo, interação, e acima de tudo capacidade humana.

Imagian se as feministas criassem esportes só para mulher? E isso não existe. Vejam o exemplo, mulher joga futebol e até na nossa seleção tem mais garra que muito homem. Não deve existir música para gay, esporte para gay. Mas sim existe, música, que algo livre e bonito e para todos; esporte que é saudável, e que claro, cada um tem mais predileção por um ou outro e facilidades, que deve ser algo livre e para todos.

Essa semana um amigo meu americano, e que vive em Pitsburg e está no Rio estudando ,comentou comigo que era triste isso, ter praia para gays, e que os gays deveriam está espalhados e convivendo juntos com os demais na praia. eu também concordo. Claro, sei que em muitos locais um beijo gay em meio a centenas de heteros seriam chocante. Mas o problema é a forma que o beijo é dado. Eu ando muito na orla e tirando raras execssões quase não vejo heteros se beijando exagerado, ou de pênis hetero. Mas na praia gay, quando fui, 80% dos gays faziam isso. Qual a necessidade de sermos ou passarmos a imagem que somos seres puramento baseados em sexo.

Se nós gays queremos direitos e igualdade, o passo para isso está no convívio com os demais membros da sociedade, na interação com os heteros, claro, sempre vão existir as piadas, o preconceito que eu vivi e comentei no post anterior, mas gente burra, míope e ruim há em todas os grupos formadores da sociedade.

Seguir o caminho do gueto, do isolacionismo, do elitismo gay é algo que só nos afastará mais da igualdade. As mulheres na luta pela sua emancipação jamais fizeram isso, e olha que há muita desigualdade contra as mulheres mundo a fora, mas elas estão ai, competentes, encantadores, radiantes, conquistando espaço. Mas é claro: SEM SE ISOLAR.

O mesmo ar que o hetero respira, o gay respira; o mesmo dinheiro que o gay usa, o hetero  também usa; o alimento que nutre o hetero, também nutre o gay; o mesmo remédio que cura o gay, também cura o hetero; a mesma condução que transporta o gay, transporta o hetero lado a lado . A sociedade é única, apesar de haver diferenças. O que nós temos é que lutar pela igualdade, e que nós não sigamos caminhos burros e toscos como o da mentalidade de seperação de raças empregada pelo nazismo.

Igualdade e inclusão vem com união e não com isolacionismo. Que o feminismo seja um exemplo para o movimento GLS e para os gays de modo geral, o feminismo alcançou o caminho com interação, e não com exclusão e guetos.

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