Hipocrisia a brasileira

Começo o post com essa manchete “Pesquisa do Ibope mostra que 55% dos brasileiros são contra união estável entre homossexuais” ela está estampada nos principais jornais do país.

Fiquei meio perplexo, até porque ninguém falou em casamento no religioso, mas sim, do direito de cidadãos de unirem-se amparados num parecer legal do STF e terem resguardados e amparados na lei os direitos de casal, como reza a constituição, sobre os direitos e deveres iguais do cidadão, o que serve tanto para heteros e homos.

Esse mesmo Brasil que é contra a união estável, também diz o que vou transcrever na frase seguinte, em menor escala, mas o diz:

“Em relação à aceitação de homossexuais trabalharem como médicos no serviço público, policiais ou professores de ensino fundamental, apenas 14% se disseram total ou parcialmente contra gays trabalharem como médicos, 24% como policiais e 22% como professores.” O Globo

Isso mostra a desiformação, e o preconceito que ronda a sociedade brasileira, é se acha esclarecida, mas não o é.

É essa mesma sociedade que diz não aceitar união estável gay, é a que faz vistas grossas para a violência contra a mulher. E faz pior, aceita a corrupção, que leva dos cofres públicos bilhões, e deixa crianças sem escolas, hospitais fechados e até sem coisas básicas, como curativo; que impede a modernidade do país, com gargalos de infra-estrutura.

Vivemos na sociedade da hipocrisia, do moralismo barato, do machismo feudal. Em que dois homens e/ou duas mulheres no seu foro íntimo não podem ter os rumos de suas vidas; e também garantir suas conquistas pessoais amparadas pela lei.

Força, não baixem suas cabeças, e nem se inferiorizem, pois somos iguais a qualquer cidadão. Numa sociedade moderna, não deve ter cidadão de primeira e nem de segunda, todos são iguais perante a lei e devem ter os mesmos direitos e deveres. E fora da lei, o cidadão, o ser humano, hetero ou homossexual, deve ser respeitado.

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18 respostas para “Hipocrisia a brasileira”

  1. “Segundo o estudo, as mulheres, os mais jovens, os mais escolarizados e as classes mais altas são os que menos se incomodam com o acesso a esse direito.” Pra mim esse parágrafo já define a raiz do problema no Brasil: Patriarquismo e falta de educação. Isso porque educação de qualidade, educação que levasse uma sociedade a questionar, cobrar e andar com as próprias pernas continua sendo a maior ameaça à classe política coronelista, patriarcalista e pseudo-cristã brasileira. O ideal é uma população “anestesiada”, satisfeita em poder comprar um Ipad em 24x e que aceite a perpetuação desse nosso sistema de “castas” onde o valor de uma pessoa é definido pelo seu carro e sobrenome.

    É bom também saber que o Supremo não se baseia em opinões da “maioria”, se diferindo muitas vezes do Legislativo nesse ponto, já que no passado pela “maioria” nunca haveria mudanças em temas como escravidão, direitos trabalhistas, direitos das mulheres e tantos outros, e hoje em dia, pela maioria a pena de morte seria adotada no Brasil, eutanasia e pesquisas com células tronco nunca seriam discutidos, e por ai vai…

    Agora, quando o assunto é o país eu também to fora do pensamento da maioria homossexual, não acho que excesso de leis, vitimização, guetos e tudo mais sejam uma forma positiva de se afirmar.
    Olha só, 50 mil pessoas se reuniram no congresso contra a PL122. 3 milhões se reuniram para o dia do orgulho gay, aqui em SP 1,5 mil se reuniram na marcha da maconha. Juntando toda essa gente temos um número consideravel, agora entre toda essa gente, havia um único interessado em fazer pressão no congresso pela educação, corrupção, saúde, etc etc??? Essas mesmas pessoas que se dizem tão engajadas e politizadas não sabem sobre a divisão do estado do Pará, do que está acontecendo no ministério dos Transportes ou mesmo dos atrasos e superfaturamentos de obras básicas em suas cidades, é cada um enxergando seu mundinho e nada além disso…

    Abraços!!!

  2. Alexandre falou a verdade.No meu ponto de vista,isso é um resultado da falta diálogo dentro das escolas,que infelizmente ignoram o assunto e as pessoas crescem com a opinião que as igrejas(principalmente evangélica)e a mídia impõe sobre elas e até mesmo reportagens(reportagens sérias,não como acontecem em certos programas que sempre acabam em baixaria) sobre o assunto.

    1. Pois é Daniel, acho que a escola está deixando de debater, os pais também. As pessoas na era na Internet só copiam e esquecem de debater e pensar.

    2. Não só a evangélica, mas a católica também, que é a que mais traz desgraça para este mundo… A religião de nada mais serve a não ser como um meio de arrancar dinheiro dos fanáticos.

      1. O grande mal está nos homens que manipulam as religiões e pecaminizam tudo.
        Grande abraço Daniel e continua a comentar.

  3. Bom Alexandre, cada dia mais admirado com você e suas posições. Olha que coisa, tudo o que você expôs vem de encontro com o que eu mais acredito, que a raiz dos problemas e da violência, é a falta de educação sim, educação que faz com que as pessoas contestem, questionem, não permitindo que sujeitos como os nossos políticos façam o que bem entendam com o nosso dinheiro. Educação passada também em casa pelos pais, que devem ensinar nobres valores a seus filhos. Em relação ao número de pessoas somadas nas manifestações citadas por você, concordo plenamente. Não havia ninguém entre elas falando sobre combater a corrupção, nada do Ministério dos Transportes que, a meu ver, é a prova mais chocante de como a sujeira está instalada no nosso país. Na Parada do Orgulho, ninguém falou dos meninos que são trazidos do Norte do país, principalmente do Pará, e são transformados em travestis para alimentar uma cadeia de prostituição na maior cidade do Brasil. Ele são tratados como escravos sexuais, sofrem todo tipo violência, e muitos são assassinados por proxenetas. O pior, são menores. Na Parada, alguém pensou em combater isso, ou dar uma vida digna para esses meninos tão mal-tratados? Não, claro que não! A maioria nem sabia da decisão favorável do Supremo em relação a união entre pessoas do mesmo sexo.
    Sobre evangélicos, prefiro não comentar, afinal posso ser polêmico demais no espaço do meu amigo Armário. E sim, sempre que a “massa”, o “populacho”, e todos os fracos, os recalcados, e as tarãntulas da igualdade tomam o poder como maioria, algo terrível acontece, como no caso da Rússia. Se não fosse uma minoria, muita coisa não teria acontecido como você citou. Parabéns. Já leu Nietzsche? Bom Armário, deculpe ter escrevido tanto! Forte Abraço!

  4. Fala ai!
    É sim, o que não nos falta são problemas reais que são mascarados por discussões pequenas, que tomam o tempo e o dinheiro que poderiam ser aplicados em coisas mais úteis.Como o Andrey disse, vi muita entrevista sobre a parada onde as pessoas diziam que tavam ali pra curtir e pegar vários, o contexto politico praticamente não existe mais, o que importa é a festa.

    Verdade, as vezes as pessoas não entendem a diferença entre democracia e populismo. Complicado falar de religião mesmo, rs e no Brasil religião e estado estão se misturando de um jeito perigoso… Li uma entrevista interessante esses dias com um pastor que criticava essa mistura e falava dos riscos do Brasil se tornar uma especie de “teocracia neo-pentecostal, o que achei interessante foi a defesa de um estado laico vindo de um pastor, dificil achar outros assim, rs.

    Olha Andrey, nunca li nada de Nietzche, tem alguma recomendação? rs
    Abraços pessoal!

  5. Sim, estamos tendo alguns precedentes em relação a intervenções nada interessantes sobre a religião tomar conta do estado. É preciso estarmos atentos para que isso não ocorra.
    Indico os meus preferidos de Nietzsche: Humano, demasiado humano, Além do bem e do Mal, e a obra-prima Assim falou Zaratustra. Abraço a todos.

  6. Oi, olha queria dizer que esse blog é demais, e que concordei com as coisas que eu li. Eu tenho 15 anos e sou gay, é bem dificil mas disso você deve saber bem. Queria que você fizesse um post sobre adolescentes e essas coisas complicadas pelas quais os homossexuais em geral passa. E olha você escreve muito bem mesmo, e as suas opniões são uma luz para essa sociedade ignorante, e eu realmente acho que você poderia escrever um livro com a sua opnião e que ajude a quebrar esse tabu de que gay é tudo igual, de que todos são iguais aqueles gays que a globo exibe como entretenimento, e que ajuda a alimentar esses tabus. E o pior é que ainda tem gays que ajudam a discriminar a si próprios, se excluindo. Eu ainda tenho a esperança de que um dia as pessoas olhem para tras e vejam como a nossa sociedade atual é tão hipócrita e irracional. Ah e pensa bem sobre o livro.
    Obrigado!

    1. Bacana seu comentário.
      Quem sabe um dia um livro.
      Vou preparar o post sobre adolescentes blz. E essa semana posto.
      Abraçaooo

  7. Como sempre digo se as pessoas tiverem que escolher entre ver a sexualidade de algum cantor ou economia a grande massa vai preferir com quem o mesmo está ficando e pode ter certeza que muitos vão colocar Deus no meio disso tudo. A sociedade brasileira se acostumou com os roubos e mortes vendo tudo isso como a coisa mas normal do mundo agora duas pessoas que se amam e do mesmo sexo eles não acham normal que engraçado chega até ser ironico se preocupam muito mas com a vida dos outros e o padrão de” moralidade” da sociedade uma sociedade machista preconceituosa onde as mães vende suas filhas para a protituição, pessoas apanham por serem confundidos com gay ou protitutas , índios são queimados e mães que obrigam as suas filhas aguentarem os seus maridos mesmo não estando felizes esse é o retrato da moralidade brasileira. Concordo que o assunto tem que ser debatido nas escolas e com os pais a pergunta que não quer calar séra que eles tem preparo para isso? tem professores que falam como se a homossexualidade fosse alguma doeção tem diretora que recrimina um menino de 11 anos por estar brincado com um coleguinha tem pais que diz que não é homofobicom mas diz para o filho a seguinte frase: não bata ,não chame de viado mais queira esses doente bem longe de vc pior dessa frase é quando o sujeito diz que não é homofobico já que ele não agride verbalmente e enm bate na pessoa fico com muita raiva desses casos. Ou seja os pais e professores também precisam de educação e precisam aprender que o estado é laíco e algumas dicas básicas de uma palavrinha que se falam tanto porém se ultilizam pouco que se chama respeito no caso dos professores a situação é mais grave por terem estudado. Agora uma coisa boa disso tudo é que a maioria dos jovens são a favor e o jovem de hoje é o velho de amanhã isso dar um pouco de esperança

    1. Infelizmente Carlos, nossa sociedade ainda é bem ignorante, ache que ser desenvolvida é ter possibilidade de comprar um bem de consumo no crediario.
      Vamos torcer que as coisas evoluam mais.
      Continue a comentar.
      Grande abraço

  8. Não pretendo contestar, nem ao menos desprezar os dados dessa pesquisa, mas, apenas indagar sobre os critérios dentro dos quais ela foi estruturada e para que fins. Sim, para que fins? E não aceito que foi “para contribuir com o debate público” como resposta. Porque não foi. Toda publicação de grande alcance modela opiniões, e as cabeças pensantes nas lideranças de movimentos sempre souberam disso, então, há desde sempre uma categoria de pessoas que se julgam responsáveis pela formação do pensamento coletivo, e depois, fica o entendimento que “o povo quis, o povo fez, o povo definiu, o povo revolucionou”. Foi assim com o movimento de independência, como foi também com a proclamação da república, entre outros acontecimentos atribuidos a ação popular, sendo que já teria sido maquinado anteriormente pela classe dominante. Creditar esses eventos ao povo é uma maneira de legitimar o discurso, respaudando-se no seio da maioria, afinal, “a voz do povo é a voz de Deus” (?). A assiantura do povo vai simplesmente macronizar (se é que a palavra existe, se não, Paulo Freire permite) um sentimento ou entendimento de alguns indivíduos detentores de alguns poderes, seja na esfera política, eclesiástica ou midiática. Não me entendam mal, eu não estou dizendo que o povo é um conjunto de amebas, não é isso, estou tentando dizer que quem detém os mecanismos que o poder propicia, naturalmente, vai usá-lo em defesa do seu ponto de vista e consequentemente vai forjar na mente do povo seus conceitos e crenças. Os bestializados de José Murilo de Carvalho é uma das obras que vem mostrar que nem tudo que se diz quanto a ação popular, o foi. Então, os números dessa pesquisa interessa a alguém, evidenciá-los também, isso alimenta determinados dicursos, ilustrando-os estatisticamente e robustece, prinicipalmente, o discurso religioso que ainda é muito resistente.Com base nessa pequisa pode-se dizer com maior segurança: “isso é um despropósito judicial, o povo não aceita, veja a pesquisa…” Outra, em que cidades foram feitas as entrevistas, o tipo de abordagem, são procedimentos que podem, se não definir, mas interferir no resultado final de uma pesquisa. E o mais importante: foi encomendada? quem a encomendou? Essa pode ser somente mais uma estratégia para formar uma consciência coletiva desejada por alguma categoria e, se isso não for concretizado, apela-se para os objetivos secundários, um deles é a rentabilidade, apenas no existir da pesquisa.

    São colocações que faço para reflexão. Os dados podem ser isso mesmo que se apresenta, mas, eu posso desconfiar deles e como eles foram construídos. E ainda se estiverem corretos, amanhã ou depois os números podem não ser os mesmos, porque a opinião coletiva é mutante. O que não vai mudar, de jeito algum, é o fato de que a homossexualidade existe e que as pessoas detentoras dessa condição sexual, vão procurar sempre uma forma de vivê-la da melhor maneira possível, se não for pelas vias legais, vai ser ilegalmente. Isso é algo que não há como mudar, nem ignorar.

    Abraço a todos.

    1. Bacana seu comentário e análise Marcus,
      Certamente, pesquisas podem ser manipuladas e direcionadas para atender setor A, B ou C de uma sociedade, podem ser construidas em cimas de regiões e demais fatores.
      Certamente isso só vai legitimar os setores radicais evagélicos, que querem pecaminizar os homossexuais.
      Os meios de comunicação e as ONGs também pecam por não explicarem a sociedade que ninguém quer casamento, casamento é uma liturgia religiosa, e nós gays queremos sim a união estável que é o que serve tanto para heteros quandto para gays, o que tem valor legal mesmo.
      Abraçao

  9. Muitas pessoas têm inveja da coragem de homossexuais que se assumem para lutarem pela própria felicidade. Essa coragem não é bem vista por muitas pessoas que, no seu cotidiano, são frágeis e covardes para perseguirem seus próprios desejos, sonhos e objetivos de vida, seja no aspecto afetivo-sexual ou em outro qualquer. Afinal, se eu preciso percorrer meu próprio caminho, construir minha vida e alcançar minhas metas, pra quê vou ficar incomodado com o que o outro tá fazendo da sua vida, com os caminhos que ele está escolhendo? Em quê isso me afeta? Para quê me posicionar de forma contrária? O que justifica esse meu preconceito? Se as conquistas jurídicas dos homossexuais me dá raiva, revolta e descontentamento de forma particular, pessoal, não racionalmente justificada, é pq o conteúdo da minha própria vida não me basta, não me é suficiente, não me agrada e quero tornar a vida daquele que aparentemente está feliz, o mais desagradável possível. Isso é triste…

    Hj em dia, assumir-se homossexual é uma prova de coragem, de liberdade, de força e de atitude. E isso incomoda muitas pessoas.

    Consequencia disso é a contradição contatada pelo blogueiro. Para ser policial, professor e médico, não há problema em ser homossexual, pois ao atuarem como profissionais, estarão atuando como homens (homossexual ou hétero, não importando). Mas quando o assunto é direitos que incidam diretamente na condição homoafetiva, colocam suas manguinhas de fora e mostram sua intolerância.

    Para mim, é isso que explica a contradição que o blogueiro constatou.

    Talvez esteja enganado, não sou muito bom em análises de cunho mais político…

    Valeu, boys!

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