Série: Se assumir gay ou não – Part 2

Dando continuidade ao post inicial da série Se assumir gay ou não“, vamos abordar neste post mais algumas perspectivas do como pode ser se assumir ou não gay.

Essa semana um dos nossos leitores perguntou se eu tinha vergonha de ser classificado como gay. Não tenho vergonha não. O principal eu já fiz, que é me assumir para a minha pessoa. Quanto a me assumir para os demais, isso é um passo que deve ser analisado caso a caso.

O que posso dizer a vocês, é que não vejo necessidade de sair contando para geral “olha eu sou gay”, primeiro porque gay é uma pessoa normal como qualquer outra, então para que a necessidade de falar eu sou diferente. As diferenças sim, podem ser percebidas durante a convivência com família e amigos (prestem atenção nessa afirmação que acabei de fazer). Não há uma grande necessidade de afirmar isso numa frase “sou gay”.

No meu caso, ninguém me ver pegando mulher alguma, saiu com meus amigos, se eles pegam mulher ao meu lado, é a opção deles, eu não o faço, e ninguém me cobra nada. Mas vocês devem perguntar “porque não te cobram?”. Simplesmente pelo fato de eu não dá espaços para as pessoas invadirem minha vida sentimental.

Aliás, eu só comento sobre minha vida afetiva, com os amigos que realmente compartilham as deles em detalhes comigo, me chamam para conversar, pedir conselhos. Isso mesmo, eu dou conselhos sobre relacionamentos heteros, eles me perdem, e esses que solicitam isso, sabem que eu sou homossexual.

Se assumir não é fácil, volto a dizer aqui, como sempre falo. Cada família tem suas nuancias, cada grupo de amigos também. Muita gente, e não digo aqui pessoas sem formação cultural, mas principalmente as esclarecidas, não estão preparadas para ter um amigo homossexual. Então, creio que o processo de comunicar as pessoas que convivem com você, seja na família, no trabalho ou lazer, sobre o fato de você ser homossexual, deva ser feito com calma. As vezes os traços comportamentais, são mais fáceis de serem aceitos do que uma a comunicação da frase “sou gay”.

Outro ponto, é que o processo de se assumir, não implicar em você ser forçado a deixar de fazer as coisas que você sempre fez, de vivenciar o que sempre gostou, de ter sua mesma rotina. Muita gente pensa que ao se assumir, deve mudar, passar para o outro lado. Não existe isso. Gay/homossexual é uma pessoa como qualquer outra: anda, come, trabalha, se diverte, chora, sorrir.

Um homossexual pode fazer as mesmas atividades que supostamente se classificam como de heteros, e vice-versa. As pessoas tem que ter em mente que o ser humano é diverso, e não um conjunto de bonecos pré fabricados. Dai a importância de vocês terem uma personalidade constituida, terem seus valores internos e crenças fortes, o que os ajudaram a não ser mais um “vai com os outros”.

Eu tenho hoje 12 amigos que sabem que sou homossexual, e nossa relação não mudou em nada. Talvez evitem piadas na minha frente…

Um outro aspecto que quero abordar aqui no processo de se assumir, é que não há necessidade de você trocar de amigos, deixar de ter amigos heteros e só passar a ter amigos gays. Ai vão dizer. “Ah, mas eu não poderei falar assuntos gays com os heteros”, claro que pode. Desde que você não vulgarize as coisas. O bom é você ter amigos de todos os tipos, heteros, homossexuais, abstemios. O importante é a interação com pessoas de todos os tipos. A não ser que você queira mudar, deixar de ter amigos heteros, isso é uma escolha sua. De foro intimo.

Bem, semana que vem teremos mais abordagens sobre esse tema.

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16 respostas para “Série: Se assumir gay ou não – Part 2”

  1. Bom, como todos já devem saber, este assunto renderia livros. Cada indivíduo é único, assim como o ambiente em que vive. Acredito também que o principal é a pessoa estar segura de si, assumir-se do jeito que é e aceitar-se em primeiro lugar. Para uns é mais fácil, mas para outros é extremamente difícil, pois as pressões e as noções de como um homem deve ser e do que é “certo” são impostas desde que somos crianças, então há aqueles que lutam contra si mesmos para não decepcionar os outros, tornado-se pessoas infelizes e incompletas. Viver tentando ocultar-se e dar a volta em situações complicadas e constrangedoras é muito cansativo e frustrante, pois a pessoa tem que estar sempre se policiando, cuidando o que fala, com quem fala…mas ao mesmo tempo, às vezes é só o que se pode fazer. Viver no armário é distanciar-se da liberdade de sermos quem somos todo o tempo, é complicado, frustrante e triste. Mas como eu sempre prefiro pensar, sempre tem gente em situação muito pior.

    1. Verdade tem uns pontos que são dificeis e outros mais tranquilo.
      Eu consigo levar boa parte bem, porque minha vida não gira em torno de eu ser gay. Eu levo as atividades e forma de ser da mesma forma de antes de me assumir gay para eu mesmo. O que pode mudar alguma coisa é quando namoro, e meu companheiro me acompanha, isso aconteceu algumas vezes, mas deu para seguir tranquilao nas situações.
      Mas é verdade o que você falou. Tem gente em situação muito pior.
      Com o tempo as coisas andam.
      Abraços

  2. É isso ai mesmo, o importante é se aceitar, você não precis sair por ai dizendo que é gay a pessoa não via ser melhor nem pior por causa disso isso é uma questão pessoal igual a heterosexualidade mas que por ser bem mais aceita é mais aberta

  3. É complicado, essa semana aconteceu um fato inusitado.Uma colega do trabalho falou em uma conversa informal que conhecia e era amiga de homossexuais, mas que segundo a biblía eles não iriam para o céu: ” O gay que não pratica pode até ir para o paraíso,mas aquele que transa não, então ele deve reprimir isso”, comentou ela.
    Enfim, para mim bíblia tem uma linguagem conotativa, cabível de diferentes interpretações, mas deixemos esse fabuloso livro para outra hora.
    O fato é que meu sangue subiu a cabeça, oras,alguém tem como controlar desejo? NÃO !
    Com relutante calma tentei convencê-la que Deus é amor e que “talvez” se assumir homossexual não seja uma escolha,e sim uma condição. Argumentei de forma imparcial.Ao final da conversa ela disse:
    ” É que nós heteros não temos como saber…é melhor não julgarmos!”
    Respondi: “É melhor não julgarmos mesmo!” Fim de papo.
    Agora vos pergunto meus caros, até quando vamos escutar e fingir que não é conosco?
    O amigo Paulo falou: “Viver no armário é distanciar-se da liberdade de sermos quem somos todo o tempo, é complicado, frustrante e triste.”
    Ratifico em não sair alardando para todos a sua orientação , afinal os heteros não fazem isso, atitudes e condutas como o blogueiro falou dizem o suficiente.Mas nos esquivarmos é no mínimo contraditório, pois na medida que nós aceitamos a NOSSA verdade não cabe mais aceitar as injúrias dos outros.
    Não estou aqui para julgar ninguém, muito contrário, creio que discussões e proposições são válidas para crescimento de todos, só acho que os ponteiros do relógio (in)felizmente só andam para frente, a vida passa rápido e não nos damos conta.
    Finalizo com a pergunta…vocês realmente são felizes ? Em caso negativo, até quando?

    Abraços

    1. Felicidade é uma busca eterna, se a pessoas diz que é feliz, pode está mentindo, até aqueles que tem a suposta “melhor vida” é a felicidade pela metade que nos dá energia para viver e nos faz continua a busca pela a felicidade completa. Quando a pessoa diz sou feliz, talvez esteja estacionada e perdendo as energias para viver e para a busca e descoberta que é a vida.
      Quanto a Biblia, o pessoal não sabe interpretar textos e nem sabe historia das religiões, leem o livro ao pé da letra e se esquecem que Jesus não escrever nada, na verdade a maior frase dele que sobreviveu é “amor ao próximo” que a maioria das pessoas cegamente esquecem.
      Grande abraço

  4. Como exemplificado pela estória do Thiago, a hipocrisia é uma das coisas mais perniciosas do nosso mundo atual..tipo: “Eu aceito, mas eles não vão para o céu”, e isso que ela se considera amiga de gays! Este tipo de gente é o que não falta e, sem generalizar, parte da culpa é dessas religiões que impõe todo um senso de falsa moral da cabeça de pessoas fracas, que vão em busca de ajuda, de conselhos, de consolo, e saem cheias de preconceitos sobre o que é certo e o que é errado. Os ditos “crentes”, com suas marchas para Jesus, se esqueceram de que o próprio já disse que quem nunca pecou que atire a primeira pedra, e foi um exemplo de humanidade, amor ao próximo e aceitação. Eles fazem sexo, nós fazemos, todo mundo faz…é parte da natureza do ser humano, então, se não conseguem processar a ideia de dois homens juntos, pelo menos respeitem ou ignorem, sigam com as suas vidas, que é o que estamos tentando fazer com as nossas. Impor preconceitos definitivamente não tem nada de divino, e estes mesmos preconceitos levam muitas vezes à violência, ao bullying, coisas que não elevarão o espírito de ninguém. Sinto pela ignorância deste tipo de gente, pois tem a própria vida regulada por regras sem sentido e serão eternamente limitados (sem falar em explorados)…e eles tb reclamam que são vítimas de preconceito, mas nós, por exemplo, teríamos algo contra eles caso eles não quisessem nos ver queimando no inferno? Claro que não…

    1. O céu não existe, está aqui do outro lado separado de nós como uma cortina, cheio de cobranças e gracejos, e quando eles se deram conta que nessa existencia esqueceram de conjugar o amor ao próximo, pois estavam cegos por livros leem sem refletir vão tomar um baita susto.
      O problema é que as pessoas esquecem que há crianças nas ruas, pessoas nos hospitais morrendo sem remedio, escolas sem lapis e pessoas com fome, mas isso para elas não é nada de errado, fecham os olhos, mas o amor de dois homens isso sim as incomoda.
      Fazer o que.

  5. Thiago, isso é foda mesmo, ainda que a vida de ninguém gire em torno da sexualidade, acho que é difícil ser totalmente feliz vivendo sempre na defensiva, é muito cansativo, e dá a sensação de não estar sendo 100% sincero mesmo com quem confia na gente, mas eu vejo como uma forma de nos protegermos também, porque precisamos conviver com esse ódio em casa, no trabalho, só quem passa pelo preconceito consegue entender essa nossa “covardia” de não se assumir. Acho que em primeiro vem a gente se aceitar, se conhecer e se fortalecer pra não sofrer pela falta de compreensão dos outros.

    Esses conceitos de bom e mal para a maioria são dogmáticos, então não aceitam um meio-termo, uma discussão “imparcial”, mesmo os próprios não seguindo vários detalhes “ultrapassados” daquilo que dizem acreditar sem questionamento. Sexualidade e crença ainda são os principais termometros de moralidade e ética, você pode ser um homem justo, honesto, amigo, mas se declare homossexual ou ateu e pra grande maioria você passa a ser evitado, vira o cara mal. Acho que condenar alguém a um inferno é uma forma da pessoa não tomar partido e dizer na cara que quem não me aceita é ela.

    Ruim mesmo é a negação, tentar acreditar que é possível reprimir o que a gente sente, uma vez ouvi um padre dizendo que aqueles com “inclinações homossexuais” são privilegiados porque tem um convite direto ao celibato e a vida religiosa. Para mim não tem nada pior que esse tipo de imposição “amorosa”, esse desejo que aqueles que pensem diferente de mim se adaptem a minha verdade com resignação, você pode ser homossexual, mas se “praticou” ai já era, se sujou… E acho que a História ta ai pra quem quiser ver o que esse tipo de pensamento trouxe ao mundo.

  6. Se me permite, vou sair um pouco do foco do texto, vou comentar sobre os comentários.

    Assim como o Tiago, aconteceu algo semelhante. Estávamos fazendo uma caminhada, e na nossa frente, havia um casal gay de mãos dadas andando. Quando passamos, o rapaz que estava comigo disse, em alto e bom som “Esse tipo de gente merece uma surra pra aprender a ser homem”. Fiquei muito espantado, e meio que sem reação quando ouvi tal coisa sendo dita, não esperava aquilo daquela pessoa. Enfim, no momento o máximo que fiz foi tentar dizer que era para se acostumar, pq aquilo (a demonstração do amior), seria cada vez mais comum nesse século. E que o ódio, faria com que, no mínimo, ele fosse parar na cadeia. Só um detalhe, eu moro com essa pessoa.

    O engraçado é que as pessoas se espantam, recriminam essa nossa “condição”, mas qualquer pessoa com um pouco mais de estudo na área de biologia animal sabe que esse “comportamento” não é exclusivo da espécie humana. Consegue-se observar fêmeas masculinizadas naturalmente (isto é, sem a necessidade de aplicação de hormônio masculino) e macho feminilizados naturalmente (idem para o anterior, mas com aplicação do hormônio feminino). Vemos isso em vários mamíferos (canídeos, felinos, bovinos, equinos, símios…), anfíbios (rãs) e até em peixes.

    Minha pergunta é: pelo ponto de vista da religião, esses animais também estão fadados ao inferno?? Bom, creio que não, já que eles não tiveram “culpa” em sua escolha, ninguém os educou para serem assim. Meu ponto é, as pessoas devem compreender que isso é uma coisa da natureza, e portanto se dizem que o Deus deles fiz tudo a sua imagem e semelhança, então somos parte de sua natureza também, logo somos partes de Deus. Também não temos culpa em nossas escolhas, apenas, nascemos assim.

    1. O inferno é na própria terra, interpretações erroneas de escrituras traduzidas ao pé da letra de tradução em tradução e isso vai mudando.
      Deus não falou nada de inferno.
      Já passei por cenas parecidas a sua.
      Vou contar em um post segunda.

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