O que sofre um gay que não tem padrão gay

Vou começar esse post com uma frase que ilustra a visão que a sociedade tem do gay que não tem aquele esteriótipo que a sociedade espera de um gay: “Esse homem é safado. Um homem desses, atrás de macho. É safadeza, falta de vergonha”.

Tenho ouvido que os gays afemenados, ou aqueles que tem o esteriótipo do grupo (mesmo tipo de vestir, visual físico e comportamemto) são os que carregam a cruz do restante do grupo, em especialmente em nome dos não assumidos e até os assumidos que não tem padrão. Mas aproveito aqui para dizer que todos (afemenados; assumidos de padrão ou não; e não assumidos) carregamos uma grande cruz, ninguém está só nessa travessia de oceano. São pressões e crobranças que todos recebemos dia-a-dia, sejam vindas do meio hetero, sejam vindas do meio gay. E não pensem que o meio gls é santo e que acolhe um gay com carinho não, ele é tão perveço quanto o hetero e discrimina gay também. Eu próprio, em 12 anos que resolvi me assumi, frequentar o meio (lugares gls), e me afastar deste; sofri e ouvi mais piada dentro do que fora deste.

Vejo o meio gls, não digo todo mundo que resolve mergulhar nele, mas uma boa parte, com um grande cooporativismo. Não pensam que atrás da sigla e/ou palavra  Gay está um ser humano. Que este, tem uma série de variáveis exercendo pressão sobre o mesmo, que muda de região para região, e de costumes e valores geográficos. Tem muito atvista gay que acha que todos vivemos em grande centros como Rio, São Paulo, BH, e outros. E cegamente acham que é tudo igual. São mais de 5000 mil cidades neste imenso país. São 5 regiões de costumes variáveis. Mas eu nunca vi ninguém parar para pensar o que sofre um gay (de padrão ou não) no interior do Ceará, no interior do Rio Grande do Sul; no coração do Pantanal. E são milhares, milhares. Que estão sob a espada do medo, e que não se identificam de forma alguma com o que prega o meio, ou com os costumes gays encontrados em grande cidades.

São rapazes, homens adultos que certamente gostariam de ser aceitos. Mas ouvem todo dia “se meu filho for gay eu mato” “um macho desses pegando homem é um safado” “olha que safadeza” “eu não acredito como você não gosta de mulher” “vamos nos afastar dele, porque ele está infiltrado aqui como homem para dá em cima da gente” São frase que ecoam e são ouvidas pelos gays que não tem padrão gay e nem o esteriótipo exigido pelos heteros e pelos gays para que uma pessoa seja gay.

Mas também há as frase que o meio gay diz “senão é gay não presta” “não sei como você anda com esses heteros” “você anda com heteros para poder pegá-los né?” “somos uma raça superior” “no nosso mundo só os belos sobrevivem” …etc.

Quero deixar claro aqui. Que quando me refiro a gay que não tem padrão gay, não estou dizendo que o padrão gay seja “afemenado”. De forma alguma. Conheço heteros que são mais delicados que muito gay delicado. Então volto a repetir, quando digo padrão gay, estou falando em seguir a padronagem de um grupo com o mesmo estilo de vestir, se comportar, pensar, se agrupar, etc. E tem muita gente no meio que acha que todos nós gays deveriam seguir essa padronagem. Se esquecendo que cada ser humano é diferente um do outro.

Não vejo nenhum ativista gay pensar no que sofre um jovem gay que não tem o padrão cultuado pelo meio GLS; ao ser forçado pela família a ir a um psicólogo ou analista, como forma de cura ao ser homossexual, ou ser forçado a ir a um prostibulo e se deitar com uma mulher como forma de cura ao ser gay. E pior, há profissionais de psicolgia que criam teorias para explicar e dizer que o cara é gay na verdade porque ele teve um trauma. Eu mesmo já ouvi isso. Um ex amigo que não se conformava por eu ser gay, foi procurar uma psicologa amiga dele, e ele voltou com uma série de teórias que explicariam porque me “transformei” em gay. Lamento por ele ser tão ignorando, e lamento por ela psicologa, que deveria voltar para a faculdade, ou deveria ter o diploma rasgado por ser uma profissional vazia.

São essas as minhas considerações neste post, sobre as pressões que o gay que não segue o padrão sofre.

E finalizo, todos carregamos uma cruz, e todos são martires, de alguma forma.

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2 respostas para “O que sofre um gay que não tem padrão gay”

  1. Concordo com tudo o que li nesse post. Sou homossexual, vivo em união estável com meu companheiro e temos construío nosso patrimônio aos poucos. Não vivo no meio gls e para ser sincero prefiro manter distância, devido ao tipo de comportamento que esse meio muitas vezes exige e que francamente não considero muito saudável. Tenho amigos gays e héteros e vivo tranquilimente com minha família e amigos. Sou respeitado em meu trabalho, na sociedade em que vivo e não tenho a mínima necessidade de me comportar com viadagem ou ter algum trejeito feminino para dizer que sou homossexual. Respeito que os têm, porém vivo muito bem com minha masculinidade. Sou homossexual, mas também sou homem, profissional, sou humano, sou normal como qualquer outra pessoa!

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