Ser um gay diferente

Como sempre digo aqui, sou homossexual, mas não limito a minha exstência a guetos, a grupos fechados, prefiro interagir com o mundo.

Ontem fui devolver a cortesia de um amigo vascaino que na Copa Libertadores, vestiu a camisa do Fluminense e foi torcer comigo na final. Então fui eu (tricolor do Rio), um outro amigo vascaino, e um corinthiano assistir ao jogo do vasco em São Januário, Zona Norte do Rio. Chegamos ao estádio, passamos pela fila, e nos acomodamos na arquibancada, no meio da torcida.

Nos divertimos muito. Eu não sou tão bom em regras de futebol, mas ali, estava comemorando todos os lances com meus amigos e com a torcida. Sei que tem muito gay que não curte isso, é um direito de cada um. Talvez alguns só fossem para ver os torcedores sem camisa, todo aquele clima masculino. Mas digo aqui que não troco essas minhas saída por boate gay  ou bar gay.

E no meio do jogo me veio a mente a dificuldade de eu encontrar um cara que queira compartilha esses momentos, ir a praia (a maioria dos gays que conheci ou só queriam ir a praia gay, ou não curtiam pisar o pé na areia). Quando eu chamava para ir a surf, skate, ou bar hetero, falavam “ah, com aqueles heteros”. Como se quando você anda não rua não tivesse que interagir com heteros.

Acho que ter um relacionamento pela metade, onde as partes não se entendem, não é o ideal. Por isso que prefiro conduzir minha vida, pelo menos mais consciente nos últimos anos a aproveitar tudo o que posso interagir. Há 9 anos resolvi não ficar preso a guetos, e grupinhos fechados gays. Não vejo problema algum um gay ir a um jogo. Ontem mesmo, eu me diverti muito. Imagina só na hora que a torcida gritava vasco, meu amigo corinthiano gritando mais baixo “timão”. Isso não tem preço, foi divertido, perigoso, e engraçado.

Também não sou de ferro, e confesso que olhei discretamente alguns vascainos, meu ex rolo é vascaino, quase que eu me bato de frente com ele lá outro, sorte que estavamos em setores diferentes. E ontem a noite, troquei olhares com um outro torcedor. Foi mais interessante isso que ir a uma boate, e saber que talvez fosse sair da night direto para uma cama. Chegar nele não cheguei, mas é bom saber que em meio há 10 mil supostos heteros, havia outros como eu compartilhando dos mesmos gostos. Isso que é bacana. Não ficar preso a um só mundo.

E eu tenho dito aqui a vocês, a vida passa rápido, não limitem sua existência a um só mundo, a um só grupo, busquem descobrir e interagir com o mundo por inteiro. Claro, cada um tem um gosto mais por isso aquilo, uns gostam de futebol, outros de volei, outros de peteca. Mas o importante é interagir com pessoas diferentes. E isso se chama DIVERSIDADE.

Ai, vão falar porque você não vai a boate gay? Você não está se limitando a um só mundo. Eu respondo, eu tenho amigos gays, mesmo poucos. Mas eu parei de ir a boate por uma coisa básica, a futilidade, e a única e exclusiva máxima de ter que ser forte e lindo para ser feliz. Isso é de uma coisa vaga demais. Foi o que me fez sair de uma boate gay no meio da madrugada e nunca mais voltar. Claro , também na boate hetero há isso. Mas lá eu não só tenho caras lindões ou bombadões, eu tenho o magrelo que namora a gostosa, e mais normal, que está com o playboyzão. Apesar da sociedade da beleza em que vivemos está nas duas partes, no mundo gay isso quase que vira obrigação.Eu malho, mas acho chato ter que ficar com alguém só pelos gominhos no abdomem. O bacana é a pessoa no conjunto.

Confesso a vocês, os melhores momentos que eu tive e tenho, são proporcionado pela interação com amigos heteros. A maioria dos amigos gays que tinha só me botavam para baixa, tinham que achar deito ali ou aqui. Por isso sou um gay diferente, como os milhões que vivem por ai, que não buscam ficar presos a um mundo de boate ou grupos gls. Eu interajo com os amigos gays que tenho e sai para curtir o dia-a-dia com programações junto com meus amigos heteros. Gostaria de levar meus amigos gays, mas eles se recusam a ir: praia, uma trilha, um boteco qualquer, um jogo as vezes.

O ponto aqui, e que pega é isso, ter alguém com afinidade, e que tope fazer o que fiz ontem, andar pela rua, sem medo, num bairro mais simples, ir pro meio do povo, suar, gritar, mandar para casa d…, vibrar. Ter companheirismo.

Para finalizar, vi gays, inclusive afemenados lá, e ninguém na torcida os estava hostilizando, eles curtiam a festa ali, como todo mundo, e levavam abraços na hora das comemorações normalmente.

Conselho final: interagir com o mundo e com pessoas de todos os tipos faz bem!

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14 respostas para “Ser um gay diferente”

  1. Cara, concordo plenamente com você. Acho que tem muitos gays por aí que estão fechados à um grupo só.Que não querem se interagir com outras pessoas! Eu particularmente,só tenho amigos héteros e me sinto tão bem com eles.Mas sei que preciso ter ao menos algum amigo gay para começar a me relacionar com outro homem. Isso é complicado!outra coisa,eu nunca foi à nenhuma boate gay,mas se a maioria dos caras forem desse jeito que você diz,só olharem a beleza e não souberem conversar igual pessoas normais, como em qualquer uma paquera que acontece em boate hétero,aí realmente deve ser péssimo. Um abraço!

    1. Fala Lucas,
      Bacana é isso ai, importante é não ter que ficar preso a meio gls, você é gay, e não precisa viver em um mundo só gay para ser feliz. Gostei do seu depoimento.
      Grande abraço

  2. Curti muito esse post.Você tem razão,acredito que se formou uma sociedade gay fútil,sem valores,onde a beleza é o que importa.Não posso dizer que não curto essas boates com caras lindos e sarados(apesar de nunca ter ido,mas msm assim pretendo ir um dia,huahsuahsuahsua)porque eu estaria mentindo.Com certeza deve ser ótimo ir para uma balada onde só tem gente bonita.Porém não podemos fazer disso a nossa vida.
    abraço,

  3. Novamente, vc conseguiu me deixar com inveja num post seu! Putz, como queria esta no RJ para voltar a assistir aos jogos do meu time cara, meu Vascão!

    É, sou mais um gay, mais um gay que é doente por futebol, torcedor fanático! E gosto de ser assim, normal, como qualquer hétero é!

    E depois que visitei Ipanema, mais especificamente o posto 9, deixei definitivamente de pensar em frequentar lugares voltados apenas para público gay: são lugares que não me agradam e me fazem sentir como um estranho, embora devesse ser exatamente o inverso disso!

  4. Concordo com o que disse. Eu amo andar de skate, mas quem disse que eu ache algum gay que curta isso? E outra coisa muito chata, ao menos para mim, é que é impossível achar alguém mais novo para sair. Poxa, eu tenho 17, e até agora nunca conheci um garoto na mesma faixa etária que a minha. Eu não sei c é medo ou falta de sorte da minha parte, mas que ta difícil achar alguém assim está. Não tenho nada contra sair com um kara mais velho, mas poxa, eu bem que gostaria de conversar e me relacionar com alguém que e ainda está passando pelos mesmos problemas que eu e etc!

    1. POis é Lucas, tem umas situações chatas, mas certamente uma hora você encontra o garoto da sua idade. Quem sabe ele não está ai ao seu lado, olha para o seu lado rs
      No chat as vezes tem uns carinhas mais novos.
      Sucesso e não desista.
      Abraços

  5. Ah espero hehe. As vezes da mo desanimo sabe, mas daí eu volto a procurar, e nunca acho. È, talvez o cara esteja do meu lado mesmo rsrs, o problema também esta comigo, eu nunca pego uma cantada, sou muito lento para isso rsrs.

  6. Acabei de descobrir o seu blog e eu já estou viciado.Leio um post atrás do outro,realmente muito bons!
    Quanto a esse post ( e muitos outros que pretendo comentar aos poucos),você traduziu os meus pensamentos perfeitamente.Eu sou um gay completamente fora do mundo gay.Eu to dentro do armário ainda,então pra mim, a melhor coisa de estar dentro de uma boate gay,é poder ser gay sem medo.Mas eu não sou esse tipo de cara que deseja mais do que tudo ir pra boate todo dia pra pegar alguem diferente e ir para cama e fim de papo.Eu desejo algo construtivo,que envolva cumplicidade e sentimentos verdadeiros,com fidelidade.Acho que o meio gay é muito ruim.Esse meio gay padrão é muito focado nas aparencias,e isso pra mim é terrivel.Eu quero gays (amigos ou namorado) que sejam abertos e que simplesmente vivam experiencias,seja indo numa boate,à praia,ao estadio de futebol torcer pro Fluzão (haha vc é tricolor né?),enfim,simplesmente sem restrições capaz de experimentar tudo.Eu sou desse seu tipo,que gosta de um barzinho hetero,de uma trilha,de uma praia,de um estadio.E o pior é que se vc demonstra isso pra outros gays,eles ainda te rotulam,vc passa como o que tenta ser hetero.É triste um grupo que diz lutar tanto contra o preconceito ser tão preconceituoso.

    1. Fala Lucas,

      Você é tricolor?

      Gostei do seu depoimento! Sejam bem vindo. É do Rio?

      Grande abraço!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  7. Puxa, concordo totalmente. É legal ver que há outras pessoas, não só você, mas os que comentam seus posts, que gostam de estar inseridos no “mundo hétero”, ou melhor, no mundo de nós todos. Por vezes, acho que fui meio preconceituoso, quando me relacionei com alguém que vivia mais no “mundo gay”. Eu os amava, mas não aceitava o que os rodeava, os amigos, as conversas, a música, o comportamento dos amigos. Pra mim, era tudo tão fútil e indesejável pra ter próximo de mim. Na verdade, isso me motivava a terminar os relacionamentos.

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