O diário de um gay não gay: sou homossexual

Como ser homo quando ocupo cargos específicos na sociedade

In amor entre homens, casamento gay, comportamento, dúvidas, dentro do armário, descoberta sexual, diferenças, escolha sexual, esteriótipos, gays, GLBT, GLS, opção sexual, preconceito, primeira vez, revista gay, sexualidade, shelter o filme, sou gay on abril 10, 2012 at 2:58 pm

Nosso leitor Igor, nos enviou esse comentários:

“…Juiz; promotor; delegado; tem cargos tradicionais e grande resposabilidade social e formadores de opiniões, como fica a sua relação afetiva dentro do contexto e, as dificuldades neles inerantes.”

Bem essa é uma situação difícil, eu vou começar dando um exemplo fora do meio gay/homo. Eu tenho um amigo que surfava muito bem, mas começou a estudar direito, se formou, hoje ele não surfa, nem quando tem folga. A resposta dele é que agora é um homem sério e não pode fazer essas coisas. Acabou misturando o advogado com o homem comum, se esqueceu de se despi do personagem advogado, e deixou que ele invadisse suas horas de lazer e vida intima.

Meu pensamento sobre isso é que as pessoas se deixam levar pelo o que a sociedade quer, as vezes por falta de base de pensamento, ou por medo de serem recriminadas. Eu até dois anos atrás trabalha junto a um grupo que atua na sociedade, mas ele começaram a me pressionar a ser quem não sou, desde deixar de usar isso ou aquilo, e até chegaram a invadir minha vida, no caso de eu ser homo, até falavam que eu fazia programa.

O que eu fiz? abandonei eles, larguei o emprego com eles, perdi dinheiro. Sim! Perdi. Mas não perdi meus valores, a minha dignidade, a minha liberdade.

Eu sei que muitos sonham em ocupar cargos públicos, serem juizes, promotores, e tem medo que a sociedade os jugue se descobrirem que é homo. Aqui no Brasil as coisas são mais complicadas. Mas em outros países, há primeiros ministros gays, prefeitos de cidade importantes gays, e nada muda, o ser homo nada tem haver com o ser público, o que você tem intimamente em seus sentimentos não invalidam sua competência, adquirida profissionalmente ou por acumulação de funções.

As pessoas dizem, há eu não quero que meu filho seja atendido por aquele pediatra gay, mas não muito distante, e até hoje, tem muita gente que não quer ser atendida por um médico negro, nordestino e etc.

Se você tem uma carater firme, é profissional no que faz, e se um dia descobrirem que você é homo, certamente ficaram intimidados a te contextar. O negócio é você mostrar que é competente, é capaz, agir da melhor maneira possível. Eu tento fazer assim nas atividades que exerço.

Eu sei que não é fácil isso, tem muito promotor, juiz e gestor público que tem medo de ter uma vida afetiva, até se mutila intimamente, deixando de ser o que é, só porque a socieade acredita que eles só serão capazes se forem heteros. O mundo está mudando, o Brasil ainda a passos lentos neste sentido, mas creio que as coisas tendam a avançar.

Mais o importante é você se manter firme nas suas convicções, ser justo com o mundo, e mostrar que tem capacidade de exercer o cargo que for, sendo negro, nordestino, gordo, homo, mulher, do interior, etc. Vamos romper os esteriótipos, que a sociedade hetero e gay querem criar do que seriam pessoas perfeitas, do padrão correto. Vamos conjugar a diferença e a diversidade.

  1. Realmente esse é um assunto delicado. Sou da opinião de que vida pessoal e profissional não se misturam. O que cada um faz em sua vida pessoal, não diz respeito às pessoas com quem você trabalha. Acho inclusive desnecessário se assumir no ambiente de trabalho. Ninguém chega para trabalhar em um novo emprego e se apresenta: Olá meu nome é fulano e sou hétero. Pra mim a mesma coisa deve valer para os gays, o que a sua sexualidade tem a ver com a sua carreira? NADA! Existem situações constrangedoras, como Happy hours, comemorações de fim de ano,em que surgem perguntas indiscretas e os colegas de trabalho podem chegar a desconfiar de você não ser casado, ou não estar com a namorada. Eu particularmente não sou de frequentar esse tipo de evento, separo bastante as coisas e deixo isso muito claro. Se sou visto como antissocial e antipático paciência… antes antipático do que profissional incompetente. A melhor estratégia é realmente ser o mais profissional e competente possível no que se faz. Sem querer expor a pessoa, mas apenas para ilustrar, se comenta muito que o Governador de Minas Gerais Antonio Anastasia é homossexual. Ele jamais desmentiu ou se preocupou em ocultar isso. Mas não há o que falar desse homem enquanto gestor público, sua conduta é impecável e ele é respeitado por todos por sua competência e profissionalismo. Inclusive se pronunciou durante o Congresso do Ministério Público de Meio Ambiente da Região Sudeste, defendendo a distribuição dos kits gay a 6.000 escolas públicas. Quer dizer, o cara é tão respeitado, e sabe que é um excelente gestor público, que pode se pronunciar favoravelmente a uma causa homossexual sem se preocupar com a sua imagem, ou com o que irão pensar a seu respeito. Temos que nos preocupar em sermos bons profissionais, competentes e respeitados no que fazemos, e não com a opinião e desconfianças sobre a nossa sexualidade no ambiente de trabalho.

    • Com certeza. A chave é ser um bom profissional, e a vida intima não interessa a empresa e aos colegas.
      Vejo até com susto quando ouço que certos testes de seleção, pedem a senha do candidato para ver a vida pessoal.
      Quanto a ir a festas, eu vou numa boa, raramente perguntam se eu tenho alguem nesse novo trabalho, na verdade no novo nunca me perguntaram.
      Grande abraço e continue a compartilhar o que pensa.

  2. Você como sempre é muito intelectual e faz um otimo uso do português! Hoje mesmo estava debatendo este assunto com outras pessoas e recebi a mesma resposta.
    Ser homo ou hétero não muda nada no que você exerce, as vezes até muda, em alguns casos os homossexuais acabam tornando-se profissionais respeitados por sua dominação da empatia, do ajudar o proximo, de fazer-se disponivel e a sua incansavel busca pelo respeito que lhe faz ser muito mais esforçado que os demais. Não são todos os casos, não quero desvalorizar o profissional hétero, mas mostrar os prós dos profissionais homossexuais. Na verdade não deve existir profissional hétero ou homo e sim e somente profissionais…

    • Fala Rick,
      Concordo não deveria haver profssionais a, b ou c e sim indidividuos que cumprem bem o trabalho que escolheram ou estão envolvidos.
      Grandeee abraço

  3. Grande Cabeça !

    Trabalho na área jurídica faz mais de vinte anos.
    Meu atual namorado é juiz federal (funcionário público da União).
    É um cara supel legal. E que gosto demais ! Trabalha como louco.
    Namoramos já a algum tempo (vai completar dois anos).
    Agora, quer casar comigo – de papel passado – no civil.
    (Não fique pasmo ! Acho que ele sempre foi um cara muito sério).

    Temos algum (poucos) momentos de lazer juntos ! Muito maneiro.
    Nunca deixei de fazer o que gosto.
    E nem nunca pensei em deixar de fazer.
    Ir a praia, surfar, namorar, dançar, viajar, acampar, fazer trilhas, etc …
    Frequentar guetos, frequentar não guetos, sair com meus amigos héteros.
    Curtir minha família, irmãos, meus tios, meus primos, meus amigos !
    Adoro todos eles e tenho espaço para todos (quase todos) …

    Até hoje, nunca fiquei de beijos com ele em repartições/gabinetes federais.
    Gosto demais da minha profissão (é só o que sei fazer)
    e nunca pensei em abandoná-la apenas porque sou gay.
    Não fico dando bandeira, mas, nunca escondi nada de ninguém.
    Em dados momentos – solenes – não tenho como deixar de me “fantasiar” de profissional do direito (não basta ser advogado, é preciso parecer advogado).
    Pago minhas contas e não dou abertura para quem não tenho intimidade.
    Nunca aceitei pressão de ninguém.
    Aliás, acho que nunca sofri tal pressão, essa que é a verdade (nem da minha família).
    É bem verdade que, no começo, causava alguma estranheza.
    Hoje, todos estão acostumados com meu modo de vida.
    Porque sempre tive uma conduta de integridade e respeito – por todos.

    Enfim, acho que como vc disse: sou firme em minhas convicções.
    E gosto demais da minha vida – gay (gosto de homem mesmo).
    E de curtir as coisas boas da vida.
    Nunca abrirei mão da minha liberdade e das minhas ideias.

    Quando vamos fazer uma trilha e contemplar a lua na madrugada ?

    • Fala Léo,
      Revelações no comentario ooooo olha…. rs
      Bacana o que compartilha conosco.
      Importante é está feliz como você nos mostra.
      Então a trilha quem sabe…
      Grande abraço amigo!

  4. Olá! Adorei seu blog! Parabéns, é muito interessante e esclarecedor. Sobre o post, concordo com vc, temos mesmo q n ter medo de ninguém. Temos q estudar, mostrar q somos competentes assim como todas as outras pessoas. Nos impor acima de tudo.

    Gostaria que fizesse um post sobre virgindade e sexo anal, tenho mtas dúvidas sobre essa prática! Tenho certeza que seria mto útil n só pra mim como para vários outros leitores. Aguardo hein?

    Um abraço

    • Fala Matheus,
      Bacana que tenha gostado do blog.
      Vou preparar o post que me pediu.
      Abraços

  5. Percebi como a sociedade brasileira ainda é burra e preconceituosa.Hoje, na minha sala, estávamos discutindo sobre qual tema deveria ser debatido na próx aula de sociologia,e a homossexualidade estava entre os temas.Um assunto bem polêmico e esquecido por partes das escolas ,o que gera um conhecimento preconceituoso pelos alunos.E foi isso que aconteceu na minha turma,alguns colegas acharam que não deveríamos debater sobre esse assunto(por puro preconceito),porém outros acharam o tema muito interessante,pois era um assunto bem abrangente.

    O fato que estou enfatizando, é o preconceito que ainda reina nas pessoas,ao ponto de acreditarem que a homossexualidade é uma coisa fora da realidade e banal.E foi isso que alguns colegas meus demonstraram.

    • Fala Daniel,
      Infelizmente nossa sociedade é preconceituosa, e nisso incluo heteros e gays.
      Grande abraço

  6. Realmente é algo complicado de se fazer, dou valor aqueles que conseguiram e hoje em dia são pessoas muito mais valorizadas do que achavam que “não” seiram. Meu médico clínico é, ele é super profissional, e sabe bem o que faz.
    Eu ainda tenho meus medos, no meu trabalho conquistei muitas coisas e é difícil para poder tomar decisões sem pensar nas consequências….

    É complicado.

    • Verdade Diego, importante é não se apressar e nem tomar decisões precipitadas.
      Grande abraço

  7. Olá, gostei tanto do seu blog que li quase todos os artigos de 06/2011 a 04/2012. Vc tem msn ou facebook que possa informar?

  8. Ao ler esse post, acabei me lembrando do desconforto que era ser gay e professor sério e respeitado ao mesmo tempo. Eu ficava 24h preocupado em me esconder da sociedade, ainda mais que morava no interior. Ainda bem que consegui mudar de vida dentro de poucos anos, rs.

  9. Pode crer. A pouco tempo atras eu servia o exercito brasileiro. Fico pensando como meus colegas reagiriam se soubessem que gosto também de ficar com homens. Eu não dava motivos para os sargentos reclamarem de mim e sempre completava as atividades da melhor forma que eu podia. Então eu penso nessa intimidação. Acho engraçado na verdade. kkkkkkkkkkk. Quanto tempo não vinha aqui. Saudade de ler os seus posts. Me ajudavam muito na época que eu ainda me descobria. e desde então o blog continua ótimo.

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