O diário de um gay não gay: sou homossexual

Como tudo começou? Descoberta, aceitação.

In amor entre homens, auto ajuda, bissexuais, boate gay, casamento gay, dúvidas, dentro do armário, descoberta sexual, diferenças, escolha sexual, gay, gays, gosto de homens, homossexuais, preconceito, primeira vez, revista gay, shelter, shelter o filme, sou gay on maio 8, 2013 at 11:57 am

Na verdade não começou naquele instante, já era desde o início e esta sendo somente mais uma etapa do processo de descoberta e aceitação. A pouco estava acordando e recordava dessa história.

De como me sentia estranho, de como eu olhava para meus amigos héteros com suas namoradas e me batia uma tristeza por querer namorar. De como não conseguia pegar garotas e não sabia o por que e a razão disso está acontecendo.

De como eu estava confuso se os impulsos e prazer solitário que tinha pensando em homem eram algo errado, pecado, ou se ao mesmo tempo meu desejo e insistência de um namoro convencional era na verdade uma ilusão.

Um amigo hétero já tinha percebido meu olhar de tristeza, ele falava “não fica assim, porque uma hora você encontra uma garota”. Na na verdade, eu não as queria ou até queria uma santa num altar para eu platonicamente reverenciar. No fundo tinha algo errado, não conseguia chegar nelas e não era por timidez, somente, elas pareciam escapar de minha vida, não dava certo.

Foi quando descobrir que aquele conflito e aquelas dificuldade que eu mesmo criava e tentava por a culpa em outra coisa: pecado, erros, timidez, etc. Era na verdade meu eu verdadeiro se manifestando. Meu desejo era um surfista, aquele moreno que era meu amigo, que era radicalzinho. Eu na verdade queria ele ao meu lado como namorado e não uma garota.

Não foi fácil passar da fase de prazer solitário pensando em homem, que eu achava que era só uma fantasia, para a fase de é verdade, eu desejo e quero um namorado homem. Foram anos para admitir isso, para pelo menos em mente ter coragem de viver esta história que parecia longe de se realizar, enquanto isso, eu ficava mais triste, mais infeliz por esta vivendo desse modo.

Eu fui criado numa família de machos pegadores, meus primos eram os garanhões, meu pai me perguntava “quando vai arrumar uma namorada”, depois “quando vai me dá um neto…” e eu sem saber o que fazer, tudo aquilo explodindo e eu quero ser eu, e não o que os outros queriam que eu fosse.

Foi quando resolvi dá um basta a minha infelicidade, não que eu tenha ido para cama com homem ali. Só o fui aos 25/26 anos. Mas naquele instante tomei consciência de que eu não era igual aos demais e que não tinha nada de errado. Passei anos desejando um namorado. Reprimir esse desejo anos por morar numa cidade pequena. Mas no meu coração e na minha verdade era ele que eu queria.

Um dia me apaixonei loucamente por um surfista judeu, e foi meu primeiro amor, mesmo que unilateral, contei para meu amigo de infância, ele ficou surpreso pois não pensava que o cara fosse homo, e nem que eu também fosse.

Meu amigo me aceitou, aceitou meu desabafo, meus suspiros, ouvia meu sonho pelo cara. Eu nunca fiquei com o surfista que era na verdade uma garanhão homo. Mas, foi dali em diante que me aceitei melhor, por saber quem eu ama de verdade era um homem e não uma mulher. Na verdade, as mulheres eu só queria delas a amizade e o amor de irmão. Mas do homem eu queria a amizade, o amor, a paixão, a cumplicidade, que estivesse ao meu lado e eu ao lado dele como namorados.

O processo de aceitação não é fácil, ele é cercado pelas muralhes do preconceito, do pecado, do medo, do achar que o ser diferente não é certo. Por achar que só o convencional e o que nos falaram que é o certo, deveria ser certo. Por está míope e não enxergar que AMOR é uma palavra ampla que não tem cor, sexo, cheiro, raça, religião.

Quando me dei consciência que não tinha nada de errado, que eu continuava o mesmo cara correto, vivendo a mesma vida normal como qualquer pessoa, mas que só queria ser feliz amando o que eu queria, as coisas melhoraram bastante.

Então, digo a vocês! O processo de aceitação passa por você se aceitar realmente, pois quando outros souberem você estará mais seguro para argumentar ou apenas ser você mesmo e não ligar para o que os outros falam.

Sou homo, não tenho vergonha disso, sou normal, amo de verdade. Inclusive estou amando e me dedicando a uma pessoa, mesmo que as vezes as reações sejam duras, não em arrependo de ser eu mesmo e amar. Eu não quero viver me enganando e tentando ser quem não sou. Sou um cara comum, mas sou homo. E o que tem de errado nisso? Nada. Posso amar da mesma forma outra pessoa do mesmo sexo, como um cara amaria uma garota.

Não existe verdades, casais perfeitos, os escolhidos de Deus, ou visões machistas do imagem e semelhança, ou somente homem e mulher. Existe sim, o ser humano, o amor, o amor ao próximo, e o desejo de ser feliz com livre arbítrio e paz ao lado de alguém.

Sejam felizes, não vivam a vida que os outros projetaram para você ou que seus familiares e amigos dizem que é certo. A felicidade e o amor só você poderá provar e vivenciá-lo e não vivero que os outros sonharam impor a sua verdadeira essência.

Sejam felizes e amem, porque amar outro homem e desejar outro homem, que é um ser humano, não tem nada de errado. O pecado está na cabeça e na criação do homem e não na Lei de Deus que é baseada no amor.

AMEM E SEJAM FELIZES.

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  1. Descobri hoje o blog, e num momento crucial da minha vida. Parece que tudo o que foi escrito foi pra mim. Nao sei mais o que fazer, sair do armario ou continuar vivendo essa vida em que nao posso ser 100% eu? Na verdade acho que estou mais preocupado com o que os outros vao pensar de mim. As vezes eu penso: sou gay, e daí, vou “assumir” e ser feliz; mas ae eu penso de novo: mas o que as pessoas vao pensar de mim, um cara de 26 anos que ainda nao decidiu do que gosta. Tenho certeza que todos que estao lendo me entendem. Mas realmente preciso e quero dar um rumo para a minha vida.

  2. Exatamente isso. O processo de autoaceitação leva anos. No meu caso, demorou muito até eu tomar consciência de que realmente gostava de homens, e mais tempo ainda até ter sexo com um homem. E continuo procurando um namorado, o que é muito difícil, pois a maioria só quer sexo, sem compromisso.
    Mas sair do armário é uma atitude difícil, e requer muita determinação e coragem, pq na sociedade preconceituosa em que vivemos, isso afeta demais a nossa vida e a de nossos familiares. Mas esse é meu sonho. Assumir públicamente, encontrar um homem para amar, viver junto, casar, ser feliz.

  3. Descobri o blog há alguns meses, e me indentifiquei com as suas histórias.
    Acredite está me ajudando muito,ainda estou no processo de aceitação, não é fácil,mas é bom ver outras pessoas que passaram pelas mesmas coisas e superaram os desafios.Somente minha mãe sabe da minha sexualidade e está difícil dela aceitar,meu pai não sabe,pois ainda não tive coragem de contar pra ele.Tenho muitos medos.

  4. Parabéns pelo blog, está me ajudando muito!!!

  5. Estou sempre acompanhando seu blog.
    O que você falou aí traduz o sentimento de todo gay num determinado período da vida.
    Essa situação de ter de se esconder é relamente complicado. Acho que é tão difícil lidar com isso que a gente acaba por ficar mais confuso e não conseguimos pensar direito sobre o que é melhor. Sempre medimos as reações das pessoas, o medo de decepcionar. Acho que independência é um dos principais critérios – pelo menos dos meus- para se assumir.
    Estou num momento em que não estou muito preocupado com isso, nem pensando muito. Comecei a faculdade agora, não tenho intenção de me assumir durante a mesma – até pensei em me assumir na facul, hoje vejo que seria uma grande besteira.

    Mas quando começo a pensar nesses assuntos o coração aperta – pela minha mãe, principalmente. Nem imagino qual seria a reação dela. E eu sei que no fuuundo ela sabe, sempre sabem, só não querem acreditar. (ela já me questionou uma vez e eu neguei).
    Grande abç, e fica com Deus.

  6. cara eu to na mesma situação que você no começo e até hoje não sabia o que significava mas agora eu não sei o que fazer, to muito confuso

  7. Olá, faz um tempo que eu acompanho o blog, mas este é o 1º comentário que faço. Desculpe, mas não me sinto preparado para dizer meu nome ainda. Não sou assumido ainda. Acho que todos nós passamos por esse momento de confusão e tristeza na vida, talvez faça parte da aceitação pessoal. Comigo não foi diferente, também ficava confuso e me dava tristeza (e ainda dá) por ver todos ao meu redor com seus (as) parceiros (as) e eu simplesmente ficando sozinho, na verdade a solidão foi minha única companheira durante muitas fazes da minha vida. Na verdade, quando alguém se descobre “fora dos padrões”, não fica fácil pra ninguém, principalmente num mundo hipócrita como o nosso, onde as pessoas dizem não ter preconceito, mas isso é só enquanto não acontece em suas próprias famílias. Já diz o ditado popular: “Pimenta nos olhos dos outros é refresco”. Eu, assim que me “caiu a ficha”, passei boa parte a minha vida rejeitando a mim mesmo, sentindo nojo de mim, como se tivesse uma peste, um demônio ou sei lá o que… Até que cheguei num ponto crítico, foi quando entrei em depressão, felizmente, depois de muito tempo, consegui sair do quadro em que me encontrava. Você mencionou em seu texto a solidão, pois bem, digo que o que mais me acompanhou a vida inteira até agora foi solidão, é horrível essa sensação, você não poder contar com ninguém, por medo de ser julgado injustamente, ser motivo de chacota. Apesar de estar sempre rodeado de pessoas da minha família, nunca pude contar nada a ninguém, ou melhor, nunca tive coragem de fazê-lo. As pessoas não entendem que ser homossexual não é uma opção, se assim o fosse, acho que os homossexuais nem existiram. “Não acordamos e dizemos: – Vou ser gay. Nascemos assim”. Outra coisa que as pessoas não entendem é que nem todos os homossexuais são “vulgares”, porque quando se fala em homossexual, imaginam-se simplesmente pessoas que só querem sexo, e há uma boa parte de homossexuais que não é assim, muito pelo contrário, são pessoas, boas, direitas, honestas, e digo; melhores do que muita gente que frequenta uma igreja e comunga, mas que é cheia de preconceitos e do que hipocritamente chamam de princípios. Esse é um dos grandes problemas que faz com que tantos homossexuais sofram, os valores religiosos, e é como você disse: “Por achar que só o convencional e o que nos falaram que é o certo, deveria ser certo. Por estar míope e não enxergar que AMOR é uma palavra ampla que não tem cor, sexo, cheiro, raça, religião”.
    O que posso dizer que aprendi com todas as situações que passei e todas as respostas que já procurei é que as pessoas, mas nem todas, usam a bíblia para condenar o julgar uns aos outro sem conhecerem a vida de cada um, e a isso chamam de justiça de Deus, mas se isso que elas fazem é chamado de justiça, então dessa justiça só irá nascer revolta e ódio, nesse mundo onde quer que exista luz, também existirão sombras, e as pessoas simplesmente parecem que nunca entenderão umas às outras.
    Por sorte pude encontrar uma amiga que soube me ouvir, teve paciência de escutar todas as minhas histórias de tristeza, solidão, confusão. Sou muito grato a ela por dedicar o tempo dela pra mim porque ela poderia simplesmente agir diferente e me desprezar, mas pelo contrário, enxugou minhas lágrimas quando estas caíam. Hoje eu vou levando minha vida como posso, aceitei meu verdadeiro eu e vou tentando “organizar meus sentimentos”, o tempo e um(a) bom(a) amigo(a) são os melhores remédio pra tudo. E assim como muitos, só gostaria de me realizar afetivamente, amorosamente, alguém para compartilhar bons momentos, sair juntos, conversar, assistir um filme, dizer “te amo”. Gostaria de indicar um filme ótimo que assisti a pouco tempo, “Prayers for Boby”, ele é baseado numa história real, se ainda não tiver assistido, vale muuuuito a pena.

  8. Tanto tempo que não venho aqui, é eu vivo dilemas… Nem sei se vou suportar por muito tempo, o coração aperta cada vez mais e mais ainda, me afasto para querer alguém… O medo me sonda, e ai as esperanças vão por terra…
    Quero ter coragem para buscar minha linda história… Espero poder conseguir.

  9. Acho que vou surtar.
    Tenho 28 anos, sou casado há quatro anos, tenho uma forte atração sexual pela minha mulher e de uns dois anos pra cá tenho fantasiado com homens.
    Anteontem, chegando ao trabalho, passou um cara por mim, deu uma encarada fenomenal que me deixou sem graça. Olhei de volta para ver aonde aquilo ia parar e o sujeito continuou olhando, até se virou pra trás quando passou… Fiquei bolado, não pela minha curiosidade em si, mas com a atitude do cara!
    Sou “quadradão”, abomino a idéia de adultério e amo a minha mulher. Será que vou dar conta de continuar me segurando numa boa ou essa vontade vai aumentar?
    Em tempo, não tenho preconceitos. Se eu fosse solteiro, acredito que faria sexo com outro homem sem nenhum problema. Só não o fiz antes porque não me bateu a vontade. E é sério! Parece bizarro, mas até os 26 anos de idade eu só pensava em mulher!
    Mas ter me casado por amor, por paixão, por uma vida sexual ótima e agora, de uns dois anos pra cá, me pegar tendo desejos homossexuais também só me faz pensar no quão injusta a minha natureza é!
    Desculpe o desabafo, acho que estava precisando falar…

    • Pode desabafar. Faça um resumo de tudo e veja se o que você tem é o que realmente você espera da vida ou é um desejo do restante da sociedade, se lhe faz bem ser feliz com ela viva, mas se algo está lhe mostrando outras possibilidades, pare e analise para onde você tem encaminhado sua vida.
      Desejo sorte

  10. Cara, adorei este post.
    A fase de aceitação nunca é fácil , principalmente quando você está na adolescência quando descobrimos o amor, os hormonios , aonde criamos uma identidade. Passei exatamente pelo que você disse , de olhar para os garotos com suas namoradas e acho que ainda é mais complicado quando você se apaixona somente pelos héteros e sabe que jamais vai poder competir com uma garota.
    Mas a aceitação é um processo meio complicado porque muitos acham que você se aceitar é a mesma coisa que se assumir e que isto te obriga a mudar seu jeito de ser , desmunhecar e coisas do tipo. Para os que não são afetados a aceitação dos outros parece mais difícil as pessoas entendem a expressão dentro do armário como se esperassem que você saísse de vestido de dentro deste armário cantando i will survive , mas não é isto. Acho que não precisamos mudar o que somos apenas por amar diferente e não devemos nos sentir pressionados a assumir nada pra sermos aceitos.

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